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Filhos da repressão: impactos geracionais e relatos

Grupo de familiares por Memória, Verdade e Justiça luta por anistia coletiva e acesso a arquivos, destacando traumas transgeracionais e impactos sociais.

Entre gerações. O grupo ingressou como amicus curiae na ação no STF para a revisão da Lei da Anistia imposta pelos militares – Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil e Coletivo Filhos e Netos Por Memória, Verdade e Justiça
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  • O grupo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça luta por uma anistia coletiva e pela memória das vítimas da ditadura, destacando traumas transgeracionais.
  • O coletivo foi criado em 5 de dezembro de 2014, a partir de uma audiência pública que recebeu um pedido oficial de desculpas do Estado e nasceu das Clínicas do Testemunho da Comissão de Anistia.
  • Em 2024 e 2025, encaminhou, com apoio da Defensoria Pública da União, um pedido de anistia coletiva à Comissão de Anistia, com medidas reparatórias como retratação pública e acesso a arquivos.
  • O grupo atua também como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 320 no Supremo Tribunal Federal, apresentando recomendações ampliadas de reparações e abertura dos arquivos das Forças Armadas.
  • Planos incluem divulgar as reivindicações por meio de eventos culturais, como uma cerimônia no Cinema São Luiz, no Recife, para entregar o requerimento a Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho, com participação de parlamentares e outros coletivos.

O grupo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça pediu a anistia coletiva como reparação aos familiares de perseguidos pela ditadura. O pedido foi apresentado à Comissão de Anistia com apoio da Defensoria Pública da União. A ação chegou após anos de relatos de danos transgeracionais.

A entidade foi criada em 2014, em Natal (RN), a partir de encontros entre familiares de vítimas e de terapeutas das Clínicas do Testemunho. O objetivo inicial era atender traumas, mas evoluiu para reivindicar reparação histórica.

A mobilização envolve a memória de Glênio Sá, militante do PCdoB na Guerrilha do Araguaia, que viveu vigilância até 1990 e faleceu em 1990 em circunstâncias controversas. Os familiares defendem que o Estado reconheça os impactos persistentes do período.

Entre as propostas, está a retratação pública, atendimento psicológico, acesso a arquivos, gratuidades cartoriais e criação de um memorial virtual. O grupo também pleiteia abertura de arquivos das Forças Armadas.

Além disso, o coletivo atua como amicus curiae na ADPF 320, no STF, buscando a reinterpretação da Lei de Anistia de 1979. Em novembro, enviou recomendações ampliadas ao governo, em parceria com o Conselho Nacional de Direitos Humanos.

O grupo já encaminhou um requerimento ao relator especial da ONU sobre Direitos Humanos, Bernard Duhaime. A ideia é ampliar a visibilidade da pauta e fomentar ações que integrem cultura, memória e reparação.

Para Jana Sá, jornalista ligada ao grupo, o impacto da memória vai além do político. Ela explica que o esmaecimento da memória alimenta uma política de impunidade e reforça o sofrimento de famílias, tornando essencial a responsabilização histórica.

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