- O prefeito de Perpignan, Louis Aliot, do Rassemblement National, foca na segurança como eixo da gestão, pedindo mais police e mais câmeras como modelo para o país.
- A cidade já expandiu a polícia municipal para 199 agentes, com 1,6 policial municipal por mil habitantes, e registra crescimento de casos de tráfico de drogas desde 2020.
- Perpignan é usada como vitrine em meio a comícios duplos de líderes nacionais, com Bardella e Mélenchon disputando a narrativa sobre ordem pública.
- O foco em segurança ocorre em meio a dívida municipal de about 1,6 mil euros por habitante e impostos locais mais elevados, contrastando com a média de cidades similares.
- Reações locais são mistas: apoiadores ressaltam ruas mais limpas e segurança, enquanto opositores criticam gastos com publicidade e a eficácia das medidas.
Perpignan, cidade mediterrânea de cerca de 122 mil habitantes próxima à fronteira com a Espanha, vê o prefeito de direita radical em exercício, Louis Aliot, defender um pacote de segurança duro como eixo de sua gestão. O objetivo é ampliar policiamento, ampliar a vigilância por câmeras e imponência do aparato público.
O partido National Rally (RN) usa a cidade como laboratório de governança e exemplo para o que quer levar ao conjunto do país nas eleições municipais deste mês. Aliot lidera as pesquisas, mesmo com uma condenação por desvio de verbas que pode atrapalhar a sua candidatura caso o recurso não seja favorável.
Aliot assume que Perpignan tem sido um palco para as ambições nacionais do RN desde 2020, quando assumiu a prefeitura, e para a campanha presidencial de 2027. Ele afirma que, sob o RN, as cidades são governadas de forma eficiente.
Plano de segurança e impacto financeiro
O programa prevê 50 policiais a mais e 200 câmeras de vigilância, principalmente nas periferias, onde áreas nobres deixaram de ocupar o espaço central. A prefeitura já aumentou o efetivo municipal para 199 agentes, contra 161 em 2020.
Com o aumento do policiamento, os números de tráfico de drogas passaram a figurar entre os mais altos entre cidades com mais de 100 mil habitantes. As investigações de tráfico cresceram e as multas por posse de substâncias reduziram-se, segundo dados analisados pela Reuters.
A prefeitura de Perpignan sustenta que a presença de mais agentes e câmeras diminui a sensação de insegurança e reforça o controle em bairros mais vulneráveis, onde há comunidades de origem norte-africana e ciganas.
Entretanto, o endividamento do município ficou em torno de 1.600 euros por morador, acima da média de cidades com perfil semelhante, segundo dados do Ministério das Finanças. As taxas de impostos sobre imóveis estão elevadas.
Mesmo com o peso financeiro, veículos de análise consideram Perpignan uma gestão relativamente eficiente. O jornal Challenges classificou a cidade como uma das mais bem administradas do país recentemente, argumento utilizado pela chapa de Aliot.
Reações no bairro e oposição
Vizinhos no centro da cidade aprovaram ruas mais limpas e maior presença policial, mas muitos pedem ações mais efetivas contra as drogas. A popularidade de Aliot, líder local, continua alta entre eleitores que valorizam a ordem pública.
Resistência de rivais políticos é visível. O candidato de centro-direita Bruno Nougayrède acusa Aliot de priorizar a política nacional em detrimento das necessidades locais. O candidato de esquerda Mickaël Idrac critica o foco em guerra às drogas e políticas de segurança.
Aliot afirma que a avaliação dos eleitores virá pela sensação na rua. O RN posiciona-se como incumbente capaz de consolidar a ordem após décadas de gestão tática de esquerda e direita, segundo a leitura do prefeito.
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