- Milhares de pessoas marcharam em Buenos Aires, do Congresso à Plaza de Mayo, na segunda-feira, Dia Internacional da Mulher, contra o governo de Javier Milei e o que descrevem como ajuste.
- A maioria dos participantes era mulher, com lenços verde e roxo, bandeiras do orgulho LGBTQ+ e cartazes em defesa de justiça para vítimas de feminicídio.
- A mobilização ocorre pouco depois da aprovação da reforma trabalhista, criticada por reduzir indenizações, permitir pagamentos em espécie, limitar o direito de greve e ampliar jornadas sem pagamento de horas extras.
- O Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw) alertou sobre a dissolução do Ministério das Mulheres e o desfinanciamento da linha de atendimento 144, além de registrar feminicídios no país.
- O Indec aponta que as mulheres recebem, em média, 26% menos que os homens, e que oito de cada dez lares são chefiados por mulheres. Um episódio em Misiones gerou críticas após distribuição de itens durante ato oficial.
Milhares de pessoas marcharam nesta segunda-feira, 9 de março, em Buenos Aires, da Congresso à Plaza de Mayo, para protestar contra o ajuste anunciado pelo governo de Javier Milei. O ato ocorreu no Dia Internacional da Mulher, com a pauta ampliada para rejeitar a política econômica e social do governo ultraliberal.
A manifestação, liderada principalmente por mulheres, reuniu lenços verdes e roxos, bandeiras do orgulho LGBTQIA+, tambores e cartazes. A mobilização também cobriu críticas à reforma trabalhista aprovada recentemente pelo Congresso, com pontos apontados como prejudiciais a mulheres, trabalhadores e dissidências.
A reforma trabalhista, aprovada há duas semanas, reduz indenizações, permite pagamentos em bens ou serviços, restringe greves e amplia jornadas de até 12 horas sem pagamento de horas extras, segundo os críticos. Militantes pedem reversão de medidas e proteção a direitos trabalhistas.
Contexto e impactos
Na visão de defensores, a reforma pode afetar principalmente mulheres e trabalhadores de menor salário, ampliando vulnerabilidades. A ONU advertiu, em fevereiro, sobre a dissolução do Ministério das Mulheres, apesar de manter a linha 144 de apoio a vítimas de violência doméstica, citando riscos de fragmentação institucional.
A Defensoria Pública registrou 271 feminicídios em 2025 e 295 em 2024, números que embasam as críticas às políticas do governo. Outro aspecto em debate é o financiamento de serviços de proteção às mulheres, alvo de reproveção institucional por redução de recursos.
Controvérsia local e dados sociais
Em Misiones, Colonia Aurora enfrentou controvérsia após distribuir itens de limpeza durante ato oficial para o Dia da Mulher, o que gerou críticas locais. Paralelamente, o governo divulgou vídeo institucional questionando políticas de gênero.
Dados oficiais do Indec apontam desigualdade salarial: mulheres ganham, em média, 26% menos que homens. O órgão também aponta que a maioria dos lares monoparentais no país é feminina, em oito de cada dez casos.
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