- STF acompanha com apreensão os desdobramentos do caso Banco Master, especialmente o que pode emergir das investigações sobre os vazamentos.
- Ministros avaliam que as notícias envolvendo Alexandre Moraes tiveram impacto maior do que as acusações a Dias Toffoli, que deixou a relatoria após pressão de colegas.
- A defesa de Moraes contratou uma assessoria de comunicação, movimento visto por interlocutores como sinal de preocupação com novos desdobramentos; o contrato envolvendo o Master adianta 129 milhões, com 94 reuniões e 36 pareceres entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
- A CPMI do INSS teve acesso a arquivos da nuvem, mas os diálogos do WhatsApp apreendidos com Vorcaro não compõem esse material; há ao menos oito menções ao nome “Alexandre” em documentos disponibilizados.
- Dentro do tribunal, seguem pontos de apoio a Moraes (Gilmar Mendes, Nunes Marques, Dias Toffoli e Flávio Dino) e críticas de Fachin, Carmen Lúcia e André Mendonça, com Mendonça buscando capital político e Fachin com atuação limitada enquanto presidente.
O Supremo Tribunal Federal acompanha com apreensão os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master, com foco nas implicações dos vazamentos obtidos a partir de celulares de Daniel Vorcaro. O conteúdo divulgado pela Polícia Federal, pela Procuradoria-Geral da República e pela defesa do banqueiro alimenta a tensão no plenário e entre ministros, diante de investigações em curso.
A percepção interna é de que as informações sobre o ministro Alexandre de Moraes geram impacto maior do que as acusações envolvendo Dias Toffoli, que chegou a deixar a relatoria após pressão de colegas. Toffoli só abriu mão do caso após surgir a informação de que uma empresa ligada à sua família, da qual é sócio, teria vendido parte do resort Tayayá a um fundo ligado ao banco.
A investigação envolve mensagens, registros e perícias realizadas pela PF, pela PGR e pela defesa. Um trecho divulgado pela imprensa aponta a existência de mensagens de Vorcaro sugerindo contatos com Moraes, em situação ainda não confirmada pela defesa do ministro. A PF executa as perícias, com dados armazenados em dispositivos apreendidos, alguns dos quais aguardam análise adicional.
O conteúdo periciado e o alcance das informações
O relatório da PF está sob posse de autoridades e de defensores do banqueiro, enquanto a CPMI do INSS acessou parte de arquivos na nuvem, sem incluir mensagens de WhatsApp que compõem o conjunto principal de diálogos. A existência de menções a “Alexandre” em ao menos oito trechos indicados pela CartaCapital eleva a cautela entre relatores e assessorias do STF.
Entre as informações em apuração, há relatos de conversas em que Vorcaro mencionou encontrar “Alexandre Moraes” em sua residência, além de imagens atribuídas a diálogos com Moraes que não trazem destinatário claro. Outros celulares apreendidos seguem em processo de perícia, mantendo a investigação em estágio ainda ativo.
Reações e mudanças na dinâmica do tribunal
A avaliação de ministros aponta delicadezas inerentes a Moraes, com a contratação de uma assessoria de comunicação pelo ministro e pela esposa sendo interpretada como sinal de preparação para eventuais desdobramentos. Observadores destacam que Moraes costuma atuar de forma independente, o que agrava a leitura de novas frentes de investigação.
A definição de coalizões internas mostra apoio sólido a Moraes por parte de ministros como Gilmar Mendes, Nunes Marques, Dias Toffoli e Flávio Dino. Em posição mais crítica aparecem Edson Fachin, Cármen Lúcia e André Mendonça, este último ligado a tentativas de ampliar capital político na Corte. Fachin, por sua vez, é visto como limitado pela função institucional, sem poderes para decisões mais contundentes no caso.
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