- Nos últimos dez anos, comunidades indígenas Twa (Batwa) do norte de Kivu, na República Democrática do Congo, migraram de áreas florestais para cidades, abrindo espaço para agregação em 13 acampamentos urbanos.
- As motivações incluem expulsões de áreas protegidas, aumento da insegurança, conflitos de terras com comunidades Bantu e dificuldade de acesso a recursos florestais tradicionais.
- Dados da época de 2015 apontavam 339 domicílios Twa em áreas urbanas e 1.794 pessoas em sete acampamentos; hoje são mais de 1.282 domicílios em 13 sites, totalizando cerca de 6.784 Twa.
- A separação da floresta compromete o conhecimento ancestral e certas práticas culturais, como rituais realizados no interior das matas, além de impactar a saúde devido à mudança de dieta e ambiente.
- Embora haja iniciativas locais para preservar medicina tradicional e planos de retorno a áreas florestais, não há políticas oficiais de apoio a povos indígenas em áreas urbanas, segundo autoridades locais e lideranças Twa.
Ao longo da última década, o Congo passou a registrar uma migração crescente de povos Twa, povos indígenas conhecidos como Batwa, de áreas florestais para cidades no norte de Kivu. As mudanças ocorrem em meio a pressões de segurança, conflitos de terras e perda de acesso aos recursos da floresta.
Relatos de membros da comunidade indicam que a expulsão de áreas protegidas, conflitos com comunidades Bantu vizinhas e dificuldades de acesso à floresta motivam a deslocação. Muitos Twa chegam às zonas urbanas buscando sobrevivência e novas alternativas de renda.
Parágrafo de contexto: em 2015, o PAP, organização de direitos indígenas, identificou 339 famílias Twa em centros urbanos e ao longo da estrada Beni-Oicha, totalizando cerca de 1.794 pessoas em sete acampamentos. Hoje, dados projetados apontam mais de 1.282 famílias em 13 locais, com aproximadamente 6.784 Twa.
Mudanças recentes na distribuição
Os deslocamentos não são apenas por segurança. A escassez de terras e o uso econômico da floresta, principalmente por comunidades Bantu, afetam diretamente a vida dos Twa, que dependem de recursos florestais para a subsistência. Agricultores e madeireiros têm ampliado áreas, ampliando o isolamento dos Twa das florestas tradicionais.
Especialistas locais apontam que, em alguns casos, líderes tradicionais vendem terras de povos indígenas a terceiros, agravando o deslocamento. Mesmo vivendo em áreas urbanas, muitos Twa permanecem vulneráveis, com empregos informais ou dependentes de ajuda humanitária.
Entre os que conseguiram manter uma presença no território urbano, alguns tentam preservar conhecimentos tradicionais, oferecendo remédios à base de plantas a populações urbanas. Casos de figuras reconhecidas na área de medicina tradicional aparecem como estratégias de sobrevivência.
Perspectivas para o futuro
Alguns líderes Twa expressam desejo de retorno às florestas, defendendo demarcação de áreas próximas a Virunga e outras zonas para garantir terras com títulos. Em Lubero, a Preppyg implementa um projeto de segurança de florestas para reduzir conflitos e permitir maior proteção de territórios.
A prefeitura de Butembo reconhece a presença de comunidades Twa, porém classifica como vulneráveis apenas crianças de Twa que vivem na cidade, como refugiados ou órfãos, recebendo apoio humano. A expectativa de retorno depende de ações políticas e de fortalecimento de políticas de proteção indicadas pela comunidade.
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