- O ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela segunda vez sob suspeita de participação em um esquema de fraude multibilionário, com mensagens vazadas mostrando influência junto a autoridades de peso.
- Registros indicam ligações de Vorcaro com autoridades do Poder Judiciário e do Banco Central; dois oficiais do BC foram afastados por assessorarem o banqueiro, e o ministro Dias Toffoli deixou de supervisionar investigações do caso.
- Reguladores apontaram crise de liquidez no Master, diante de regras mais rígidas para títulos lastreados em acordos judiciais; Vorcaro prometeu levantar bilhões para conter o problema, mas a instituição acabou liquidada.
- Documentos mostram grandes gastos para ampliar influência, incluindo um fórum de ideias em Londres, em abril de 2024, com participação de autoridades e uma festa de degustação, além da contratação da esposa de uma das mais importantes autoridades do Supremo como advogada do banco.
- O caso levanta temores de desdobramentos políticos em ano eleitoral, com o senador Alessandro Vieira defendendo uma investigação formal sobre possíveis ligações entre Vorcaro e figuras poderosas.
Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, foi preso pela segunda vez na semana passada, no âmbito de uma investigação sobre um esquema de fraude multibilionário. A operação expõe uma rede de contatos que alcança autoridades da Suprema Corte, do Congresso e do Banco Central, elevando o risco de exposição de poder no cenário político nacional.
Ao longo dos anos, Vorcaro construiu um círculo de influência que chamou a atenção de analistas, especialmente por manter vínculos com figuras de alto escalão. Senadores e ministros da Suprema Corte aparecem entre os citados em registros revisados pela polícia, enquanto dois dirigentes do Banco Central foram afastados após serem apontados como assessores do banco.
As informações estão relacionadas a uma crise de liquidez que atingiu o Banco Master em 2024, quando reguladores elevaram requisitos de capital para títulos lastreados em ganhos judiciais. A instituição, que operava com ativos de alto risco, chegou a enfrentar precariedade de caixa apesar de prometer levantar bilhões de reais para sanar o problema.
Em 2024, Vorcaro organizou e financiou eventos que reforçaram o acesso dele ao poder, segundo documentos obtidos pela polícia. Um fórum de ideias em Londres, com participação de autoridades e figuras públicas, teve valor estimado de 6 milhões de dólares, seguido de uma degustação de whisky avaliada em 640 mil dólares.
Além disso, uma assessora que é esposa de um dos ministros da Suprema Corte foi contratada pelo banco como advogada, apesar de negar atuação perante o STF. Outras ligações incluem a participação de ex-ministro Guido Mantega em encontros para discutir o conflito entre o banco e grandes instituições, conforme relatos de uma entrevista divulgada recentemente.
A administração do banco recorreu a múltiplas estratégias para evitar a liquidação, como captar recursos de fundos de pensão de servidores públicos e pleitear apoio no Congresso. Mesmo assim, a instituição foi liquidada pelo Banco Central no fim de 2025, e Vorcaro foi libertado temporariamente antes de ser novamente detido.
A perícia aponta mensagens de Vorcaro que sugerem tentativas de coação de terceiros, incluindo a aproximação de um jornalista, com a ajuda de um assessor denominado Sicario, conforme os materiais sigilosos divulgados. Os advogados do empresário contestam as acusações, dizendo que não houve irregularidades, nem intimidação ou interferência na investigação.
Senadores reconhecem que a situação envolve figuras poderosas e cobram apuração institucional. A esteira de investigações segue em andamento, com o objetivo de esclarecer possíveis vínculos entre o banco e agentes públicos, bem como o real impacto dessas relações na política brasileira.
Entre na conversa da comunidade