- Em La Palma, bairro de Montería, Córdoba, moradores relatam inundações intensas; pessoas deslocam pertences em geladeira virada como barco.
- O total de pessoas deslocadas no departamento já passa de setenta mil, e cerca de quatro mil e oitocentas moradores estão em abrigos oficiais.
- Surge debate sobre a responsabilidade do reservatório Urrá, com críticas de autoridades e do presidente Gustavo Petro; a empresa gestor nega autoria de culpa.
- Cientistas associam as enchentes a padrões climáticos e à mudança climática, com chuvas acima da média em fevereiro; o IPCC alerta para maior vulnerabilidade a inundações no país.
- Indígenas Embera Katío e Zenú foram atingidos, há danos a moradias e produção, além de riscos sanitários como dengue em áreas alagadas.
In Montería, Córdoba, famílias enfrentam inundações recordes. Na periferia de La Palma, dois garotos usam um refrigerador virado como barco para transportar pertences. Ana Castillo, 33 anos, observa a água que invadiu sua casa e subiu até a parede.
A região enfrenta o pior episódio de cheia já registrado em Córdoba, afetando 27 bairros de Montería e 24 municípios. Ao todo, sete pessoas morreram, e dezenas de milhares ficaram desabrigadas ou isoladas pelas águas.
O debate sobre as causas se intensifica. Enquanto cientistas apontam para padrões climáticos alterados, moradores e algumas autoridades ligam as cheias ao transbordamento do reservatório da usina Urrá, na bacia do Sinú, upstream de áreas afetadas.
Clima extremo e variabilidade natural
Dados da Unidade de Gestão de Riscos mostram chuva incomum de fevereiro, com partes da região recebendo entre 130% e 180% da média mensal. Em janeiro, o volume foi de 222,6 mm, quase o triplo da média histórica, e fevereiro avançou rapidamente além da média mensal.
Análises de institutos científicos indicam que temperaturas mais altas elevam a atividade de precipitação, ao mesmo tempo em que ventos costeiros trazem mais umidade para o Caribe. A variabilidade natural não explica sozinha o conjunto de cheias, segundo os pesquisadores.
Impacto humano e resposta
Na cidade, cerca de 4,8 mil pessoas estão em abrigos oficiais de Montería e outras famílias estão com parentes. No total do departamento, mais de 69 mil pessoas foram deslocadas. Moradores relatam perdas de moradias, animais e safras, além de risco de doenças.
Comunidades ribeirinhas em Los Patos e Nariño enfrentam isolamento completo, dependentes de ajuda de organizações humanitárias que chegam apenas a cada quatro dias. Em áreas distantes, a falta de água potável aumenta a preocupação com doenças transmitidas por mosquitos.
O governo local trabalha com equipes de assistência e programas de vigilância sanitária para minimizar epidemias, como dengue. Autoridades destacam a necessidade de planejamento para eventos com padrões climáticos mais extremos.
Perspectivas
Defensores da Urrá afirmam que o reservatório ajuda a controlar cheias em grande parte da bacia do Sinú e que a operação de vazões visa manter a usina estável. Já críticos ressaltam impactos históricos sobre ecossistemas locais e comunidades indígenas, apontando vulnerabilidade aumentada ao longo de décadas.
Em meio ao desfecho incerto, moradores seguem recebendo assistência e aguardam recuperação gradual, com a paisagem alagada transformando a vida de milhares na região.
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