- Iris Marín, Defensora do Pueblo da Colômbia, afirma que existem zonas do país com governança criminal predominante, dificultando a participação cidadã.
- Ela destaca que o país vive um processo eleitoral violento, considerado o mais intenso desde o acordo de paz de 2016, com assassinatos e tentativas de intimidação.
- Em fevereiro, ocorreram três seqüestros de autoridades e candidatos; em março, ataques a expedicionários e violência contra militantes continuam crescendo.
- A Defensoria aponta que mais de 600 dos pouco mais de mil municípios apresentam algum risco de violência ou fraude eleitoral; apenas 41% das recomendações feitas foram cumpridas.
- Marín ressalta déficits na representação de mulheres na política e avalia que a continuidade da política de paz total necessita de avaliação, sem indicar caminho radical nem retorno à guerra.
Iris Marín, defensora do Pueblo da Colômbia, afirmou em Madri que há zonas do país onde predomina a governança criminal, dificultando a participação democrática. Ela destacou que o país carrega uma dívida histórica com grupos vulneráveis e que há pouco avanço na representação feminina.
A entrevistada dividiu o foco entre violência política, eleições e desigualdades. Afirmou que grupos armados fortalecem-se nos últimos seis anos e ocupam territórios, dificultando a atuação de instituições do Estado. A mulher e candidatas às curuls de paz aparecem entre os segmentos de maior risco.
Segundo Marín, a violência eleitoral é, em grande parte, local. O cenário envolve disputas entre facções, com evidências de domínio de recursos e economia ilícita. Ela citou áreas com confrontos entre Clan del Golfo, Conquistadores de la Sierra e dissidências das FARC, além do ELN, em diferentes regiões.
Violência eleitoral e governança criminal
A Defensoria do Pueblo encaminhou recomendações à Administração para reduzir a influência de grupos armados no pleito e proteger candidatos e eleitores. Contudo, apenas 41% das medidas foram cumpridas, refletindo impactos no terreno.
A defensora lembrou que, em janeiro, subiu para 69 o número de municípios com risco extremo, entre mais de 1.100. Ao destacar a qualidade do processo, Marín reconheceu avanços na organização eleitoral, ainda que persista a contenda sobre supostos fraudes.
Ela revelou que a política de paz total tem sido central nos planos do governo, com críticas de quem cobra mais resultados. Em sua avaliação, a expansão de grupos armados e o aumento de violência trazem desafios à construção de paz sem recorrer à guerra total.
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