- Nas três maiores cidades — Paris, Lyon e Marsella — as candidaturas vão para a segunda volta, com os partidos ainda negociando alianças; prazo para formalizar propostas ao Ministério do Interior termina amanhã à tarde.
- A Frente de Esquerda, liderada pelo Partido Socialista, resiste sem se aliar à La France Insoumise (LFI) de Jean‑Luc Mélenchon, mas pode precisar de alianças locais para fechar vitórias.
- La France Insoumise registra resultados expressivos em várias cidades e pode influenciar o segundo turno, mesmo sendo marginalizada no primeiro; em Paris, Limoges e Toulouse, a LFI avançou.
- Nas cidades onde ficou mais forte, a ultradireita cresce, com Marine Le Pen, por meio do Rassemblement National (RN), liderando em cidades como Nice, Perpignan e Nîmes; outras siglas da direita também avançam, como a União de Direitas para a República (UDR).
- Marsella ficou sem espaço para aliança com a LFI, após o prefeito Benoît Payan recusar a coalizão; a LFI já avisou que não vai se retirar da disputa.
Nos comícios de domingo na França, as alianças entre partidos moldaram o jogo para as eleições municipais, com destaque para Paris, Lyon e Marselha. A fragmentação da esquerda e o avanço da esquerda adicional com o Partido Socialista, em conjunto com LFI de Jean-Luc Mélenchon, passam a definir o cenário da segunda rodada. O objetivo é evitar a fragmentação que favorecería blocos ultradireitistas em cidades de grande porte.
Em Paris, Lyon e Marselha, as candidaturas passaram à segunda volta, com negociações estratégicas entre legendas para consolidar vitórias. A contagem parcial mostrou avanços de LFI em cidades-chave, ainda que a fricção interna entre PS e LFI tenha se intensificado, dificultando acordos nacionais consistentes. Em Lyon, Grégory Doucet avalia alianças locais com Anaïs Belouassa-Cherifi, de LFI, para formar uma fusão técnica e manter a disputa acirrada.
A margem de tempo para formalizar fusões encerra-se amanhã à tarde, com o Ministério do Interior recebendo as listas atualizadas. Em Paris, o PS lidera a primeira volta, mas a distância para a ultradireita exige acordos de centro e esquerda, o que ainda está em negociação. Em Marselha, Benoît Payan rejeita a proposta de um “frente antifascista” com LFI, mantendo-se na disputa com apoio de uma base local de esquerda moderada e ecologista.
Na segunda maior cidade, Lyon, Doucet e o empresário Jean-Michel Aulas chegam quase empatados. A indefinição repousa sobre a adesão de votos de Belouassa-Cherifi, que pode repartir o apoio entre facções de esquerda. Em Toulouse, a aliança entre LFI e a esquerda ganha força, com uma lista conjunta que coloca a esquerda em posição de vantagem para enfrentar o incumbente conservador Jean-Luc Moudenc.
Em Niza, a balança se inclina para o lado conservador com Éric Ciotti buscando apoio da esquerda para frear o avanço ultradireita de Nouveau Rassemblement. Em Perpignan, o RN já consolidou vitórias expressivas em cidades de maior porte, mostrando a tendência de ganho de força da direita. O mapa político da França tende a se dividir entre dois ou três blocos majoritários na disputa pela segunda rodada.
Entre os protagonistas da esquerda, o PS mantém resistência sem firmar acordo nacional com LFI, buscando soluções locais para sustentar candidaturas em cidades grandes. A fricção interna entre propostas de governo, alianças técnicas e fusões de listas é observada de perto pelo eleitorado, que aguarda definições para a data da segunda rodada.
A imprensa e analistas destacam que oito das dez maiores cidades registraram avanços da esquerda, ainda que o peso da ultradireita tenha aumentado no conjunto do país. A candidatura de Marine Le Pen e o RN consolidam bases em municípios importantes, influenciando o reajuste estratégico dos adversários. A próxima etapa depende das negociações locais e da capacidade de cada cidade de formar coalizões estáveis.
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