- Mais de 120 indígenas ocupam um prédio federal em Altamira, na Amazônia, desde 23 de fevereiro, pedindo que o governo revogue a licença para a mina de ouro a céu aberto Volta Grande, da canadense Belo Sun, no rio Xingu.
- O movimento é liderado por mulheres indígenas e ocorreu após decisão judicial de 13 de fevereiro que reinstalou a licença de instalação, suspensa desde 2017.
- Os manifestantes criticam a Funai, ligada ao governo federal, dizendo que a agência não os representa e aprovou impactos indígenas sem consentimento das comunidades afetadas.
- Em dezembro de 2025, 10 associações indígenas formalmente anulam o processo de consulta prévia e suspenderam negociações com a Belo Sun.
- Belo Sun afirmou que o projeto será desenvolvido seguindo as melhores práticas internacionais de mineração e padrões sociais, enquanto líderes indígenas alertam sobre danos ambientais já causados pela usina hidrelétrica Belo Monte na região.
Mais de 120 indígenas ocuparam um prédio federal em Altamira, no Pará, na Amazônia, desde 23 de fevereiro. A ação exige que autoridades revoguem a licença de instalação da Belo Sun para a Volta Grande, maior parte de ouro a céu aberto no Rio Xingu.
A mobilização é liderada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu. Os protestos ocorrem na unidade regional da Funai e reforçam a contestação a um projeto de uma mineradora canadense. A cobrança vem após decisão judicial que reverteu a suspensão da licença em 13 de fevereiro.
A Justiça havia restabelecido a licença, suspensa desde 2017, para o Projeto Volta Grande da Belo Sun (BSX). O movimento afirma que a Funai não representa adequadamente os povos impactados e que o consentimento não foi obtido de comunidades afetadas.
Contexto ambiental
Indígenas alertam que a mineração pode agravar danos já provocados pela Belo Monte, barragem que reduziu o fluxo do Xingu desde 2016. Líderes indicam riscos a peixes, navegação e recursos hídricos da região.
Belo Sun afirma que o empreendimento respeitará as melhores práticas internacionais de mineração e padrões sociais elevados. A empresa diz estar autorizada a prosseguir com atividades de instalação, conforme comunicado divulgado pela própria companhia.
Indígenas lembram que, em dezembro de 2025, dez associações suspenderam negociações com a Belo Sun e anularam um processo de consulta prévia. O grupo também citou impactos ambientais já observados na região do Xingu.
Sol Juruna, líder da ocupação, afirmou por meio de mensagem de áudio que não permitirão que a unidade destrua o rio. Segundo ela, a água já está bastante afetada e novos proyectos podem comprometer o futuro da região para as próximas gerações.
A polêmica envolve ainda a atuação da Funai e o direito de consulta aos povos tradicionais, tema central de disputas que se arrastam há 14 anos. A defesa da Belo Sun envolve recursos legais e novas etapas de avaliação.
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