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Indicação de Messias ao STF travada revela fragilidade política de Lula no Senado

Indicação de Messias ao STF permanece sem envio ao Senado após mais de três meses, expondo fragilidade da articulação política de Lula na Casa

Indicação de Jorge Messias ao STF enfrenta resistência no Senado e mobiliza Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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  • A indicação de Jorge Messias ao STF ainda não foi enviada ao Senado pelo Palácio do Planalto, gerando o maior atraso entre as indicações de Lula no terceiro mandato.
  • O governo julga que não há votos suficientes para aprovação; levantamento aponta 25 senadores favoráveis, versus 41 necessários.
  • Na Comissão de Constituição e Justiça, Messias tem apoio de 10 de 14 votos, sete são contrários e outros dez não se manifestaram.
  • O impasse se agrava pela relação tensa entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que é quem pauta a sabatina.
  • O timing eleitoral e a organização partidária ajudam a atrasar a sabatina, com avaliação de que a análise pode ficar para depois de outubro.

A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) permanece travada no Congresso, mais de três meses após o anúncio. O Palácio do Planalto ainda não enviou a mensagem ao Senado, sinalizando dificuldades para obter votos favoráveis, o que revela fragilidade na articulação política do governo na Casa.

A tramitação não foi iniciada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Senadores indicam que a demora decorre da avaliação de que não há apoio suficiente para aprovar o nome no plenário. Levantamento mostra 25 votos favoráveis, 16 a menos que os 41 necessários.

Na CCJ, Messias aparece com 10 dos 14 votos necessários; sete parlamentares já se posicionaram contra, outros dez não se manifestaram. O impasse se condiciona à relação entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que precisa pautar a sabatina.

Aliados do governo comentam que Messias contradiz a preferência do senador Rodrigo Pacheco, o que teria esfriado o diálogo com o comando do Senado. A sabatina chegou a ser prevista para dezembro, mas foi cancelada por falta de formalização da indicação.

Entre os betreintes do PT, a leitura é de que a aprovação depende de atuação direta de Lula junto a Alcolumbre. Assessorias do Planalto indicam que o presidente não recuará da indicação e deve tratar do tema com o senador nos próximos dias.

Lula tem reiterado, em conversas com aliados, que a escolha para o STF é prerrogativa presidencial. O assunto já foi tratado com Jaques Wagner e Otto Alencar em reunião de março.

Oposição e calendário eleitoral

O ritmo da tramitação é influenciado pelo calendário eleitoral e pela reorganização partidária. Senadores destacam articulações para eleições municipais, o que aumenta a percepção de que a sabatina pode ficar para depois de outubro.

Parlamentares admitem pouca disposição para acelerar a sabatina neste momento, pois a votação em ano eleitoral pode expor senadores a desgaste. O modelo de funcionamento remoto do Senado também dificulta a articulação política.

Segundo analistas, a fragilidade da maioria governista aumenta a dependência de Alcolumbre para definir pautas e o tempo de aprovação. A relação entre Planalto e Senado passa a depender de barganhas e negociações mais específicas.

Historicamente, o cenário reforça um ambiente de cautela no Senado. A recondução de Paulo Gonet, procurador-geral, em 2024 mostrou redução de apoio parlamentar para indicações do Executivo, sinal de maior resistência.

Perspectivas e leitura institucional

A avaliação de especialistas aponta que, sem maioria sólida, o governo tende a negociar a aprovação no varejo. O papel de Alcolumbre aparece como chave para definir a tramitação, tempo de sabatina e condições de votação.

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