- José Manuel Barroso sugeriu que António Costa possa excluir a Hungria de conversas sensíveis da UE caso Budapeste não explique adequadamente as acusações de repassar detalhes de reuniões a Moscou.
- A Hungria nega as alegações, dizendo que é rotina fazer briefings com parceiros, incluindo Rússia e outros países, antes e depois de reuniões importantes.
- Barroso citou histórico de exceções de membros em discussões de seus tratados, como o Reino Unido durante a crise fiscal, para justificar a possível exclusão temporária da Hungria.
- A situação ocorre em meio ao veto húngaro ao empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia e à continuidade da oposição de Budapeste às sanções da UE contra a Rússia.
- Enquanto isso, a União Europeia e os Estados Unidos devem enfrentar a última etapa de aprovação do acordo comercial, com votação prevista no plenário do Parlamento Europeu.
Former European Commission President José Manuel Barroso sugeriu que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, avalie excluir a Hungária de encontros sensíveis da UE caso o governo de Viktor Orbán não esclareça as alegações de vazamento de informações aos russos. A reportagem surgiu em entrevista ao Europe Today, publicada nesta quinta-feira.
As alegações começaram com reportagem do Washington Post, que aponta o ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, ter comunicado regularmente ao chanceler russo Sergey Lavrov durante pausas de reuniões da UE. Budapeste nega as acusações, afirmando apenas que briefings a parceiros globais, incluindo Rússia, são rotina.
Barroso ressaltou que todos os membros devem obedecer aos princípios de comportamento responsável e sugeriu que, se a explicação não for suficiente, a União possa, em certos temas sensíveis, reunir-se sem a Hungria. O caso ocorre em meio a tensões sobre o veto húngaro ao empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia e a resistência de Budapeste às sanções à Rússia.
O governo húngaro afirmou que o envio de informações a parceiros é prática comum, citando interlocutores como EUA, Turquia, Israel e Sérvia. A situação acontece enquanto o país continua a bloquear o empréstimo e a não apoiar o último pacote de sanções à Rússia, influenciando a agenda europeia.
Em meio a esse cenário, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, sinalizou que Kiev pode buscar apoio em outras regiões, citando o Oriente Médio e o Golfo como direções alternativas para fortalecer a posição de Ucrânia, especialmente diante do impasse com a Druzhba.
Paralelamente, o acordo de comércio entre UE e EUA enfrenta a votação final no plenário do Parlamento Europeu após a aprovação na comissão de comércio, podendo definir a continuidade das negociações e eventuais salvaguardas, como cláusulas de expiração e condicionais de cumprimento.
A controvérsia envolvendo Orbán e Costa é destacada como o maior desafio da presidência de Costa na condução das relações entre Bruxelas e Budapeste, com analistas ressaltando que não há consenso para um plano B que contorne o veto.
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