- A eleição geral na Hungria é em 12 de abril, com forte descompasso geracional: mais de 60% dos eleitores com menos de 30 apoiam o Tisza Party de Péter Magyar, e 15% apoiam o Fidesz de Viktor Orbán.
- Orbán concentra o discurso em eleitores mais velhos, com promessa de 14º mês de aposentadoria; o Fidesz lidera entre quem tem mais de 64 anos.
- Pesquisas indicam que a participação dos jovens pode decidir o resultado, caso a mobilização seja alta, o que poderia compensar o maior comparecimento dos mais velhos.
- Há alegações de interferência externa no processo eleitoral, com suspeitas de atuação de agentes russos; o governo nega e classifica como fake news.
- A campanha entre jovens inclui influenciadores no TikTok, como Oszkár Kállai (Oszikaaa) e LázaDóra, além de iniciativas como V21 e a associação TÉR para ampliar o engajamento entre 220 mil e 250 mil jovens esperados para votar.
AHungary se aproxima das eleições gerais, marcadas para 12 de abril, em meio a um claro abismo geracional. A disputa envolve o governo liderado há 16 anos por Viktor Orbán, do Fidesz, e a oposição representada pela Tisza, de Péter Magyar. A maior parte da ação eleitoral parece concentrar-se entre os jovens, com impacto potencial sobre o resultado.
Dados de pesquisas independentes indicam que mais de 60% dos eleitores com menos de 30 anos apoiam a Tisza, enquanto apenas cerca de 15% indicam preferência pelo Fidesz. O partido governista aposta em propostas voltadas a eleitores mais velhos, como a promessa de um 14º mês de pensão para aumentar a segurança do grupo acima de 64 anos. A mobilização dos jovens tem sido apontada por sociólogos como fator decisivo.
Interferência e percepção internacional
Críticos afirmam que o Fidesz aproxima-se de pautas pró-Rússia e de uma posição mais distante da União Europeia, o que poderia afetar recursos e o estado de direito. Em 2025, o Parlamento Europeu condenou a violação de valores da UE em várias frentes, incluindo a independência judicial e a implementação de decisões da Corte Europeia de Direitos Humanos. Relatórios de investigações citados por Euronews sugerem possíveis interferências russas em processos eleitorais, embora o governo húngaro tenha rejeitado as acusações.
Quantos jovens votarão é incerto. Em 2022, cerca de 231 mil eleitores de primeira vez entraram nas urnas, com 90 mil votos efetivos. Espera-se que, em 2026, o contingente possa variar entre 220 mil e 250 mil, sem dados confiáveis no momento. A mobilização entre jovens continua sendo estratégica para ambas as campanhas, com o governo estimulando a participação entre esse grupo.
Campanha digital liderada por jovens
Duas figuras centrais da comunicação de campanha são Oszkár Kállai, conhecido no TikTok como Oszikaaa, e LázaDóra. Kállai, de 21 anos, é veterano de plataformas digitais e trabalha em um abrigo infantil; seu canal tem mais de 90 mil seguidores, com vídeos que alcançam centenas de milhares de visualizações. Ele afirma dedicar-se ao conteúdo político, apesar das restrições de horário.
Dóra, nascida em 1987, votante desde 2006, é mãe e profissional de TI. Ela critica políticas associadas à proteção infantil e à igualdade, e utiliza o TikTok para disseminar críticas ao governo. O conteúdo de Dóra é associado a iniciativas organizadas por redes como V21 e a associação TÉR, com participação de ex-políticos e jovens ativistas em campanhas de base comunitária.
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