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De líder da direita nacional a vice que concorrerá à reeleição com Lula: conheça a trajetória de Geraldo Alckmin

A vaga de vice estava em aberto, já que Geraldo Alckmin cogitava se lançar como candidato ao Senado Federal por São Paulo.

O vice presidente Geraldo Alckimin, irá concorrer à reeleição na chapa de Lula. Imagem: CNN.

Na manhã desta terça-feira (31), Lula anunciou que seu atual vice-presidente, Geraldo Alckimin, fará parte de sua chapa para concorrer à eleição.“O companheiro Alckmin que vai ter que deixar o MDIC. Ele vai ter que deixar porque ele será candidato a vice-presidente da República outra vez”, afirmou em uma reunião. A candidatura de Alckimin em […]

Na manhã desta terça-feira (31), Lula anunciou que seu atual vice-presidente, Geraldo Alckimin, fará parte de sua chapa para concorrer à eleição.
“O companheiro Alckmin que vai ter que deixar o MDIC. Ele vai ter que deixar porque ele será candidato a vice-presidente da República outra vez”, afirmou em uma reunião.

A candidatura de Alckimin em 2022 marcou um rompimento histórico com outro campo político. Na época filiado ao PSDB, era considerado uma das principais lideranças associadas à denominada direita brasileira.

O anúncio da candidatura à reeleição foi feito por Lula durante reunião no Palácio do Planalto, convocada para fazer um balanço da atual gestão e também marcar a saída de ministros que deverão deixar seus cargos para disputar as eleições de 2026.

Atualmente, também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDI).

Geraldo Alckmin se consolidou politicamente ao governar São Paulo por quatro mandatos, tornando-se o nome mais longevo no comando do estado.
Após mais de três décadas no PSDB, migrou para o PSB e tornou-se vice-presidente da República e ministro, integrando a chapa de Lula desde 2022.
Mas como se desenvolveu a carreira de um dos mais influentes e atuantes políticos brasileiros?

Como se desenvolveu a carreira de Geraldo Alckimin?

Geraldo José Rodrigues Alckmin é um dos nomes mais conhecidos da política brasileira contemporânea. Com mais de cinco décadas de vida pública, ele atravessou diferentes fases do sistema político nacional, desde a redemocratização até a polarização recente. E conseguiu se manter como um ator relevante tanto em eleições quanto na articulação institucional.

Em março de 2026, seu nome voltou ao centro do debate político após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar que ele será novamente candidato a vice-presidente na eleição de outubro. A decisão reforça um movimento iniciado em 2022: a formação de uma frente ampla que une trajetórias distintas como estratégia de ampliação de base.

Das origens no interior à política nacional

Nascido em 1952, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, Alckmin iniciou sua carreira política ainda jovem. Aos 20 anos, foi eleito vereador pelo MDB, em 1972, dando início a uma trajetória contínua em cargos públicos.
Formado em Medicina pela Faculdade de Taubaté, com especialização em anestesiologia, ele conciliou por um período a atuação profissional com a política. Apesar da formação em saúde, sua carreira tenha se consolidou predominantemente na gestão e na política institucional.

Após a vereança, foi prefeito de Pindamonhangaba, deputado estadual e, posteriormente, deputado federal constituinte, participando da elaboração da Constituição de 1988.

O político que permaneceu por mais tempo no governo de São Paulo

A consolidação de Alckmin como liderança nacional ocorreu sobretudo em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Ele foi vice-governador nos anos 1990 e assumiu o governo do estado após a morte de Mário Covas, em 2001.
Ao longo das duas décadas seguintes, governou São Paulo por quatro mandatos (em períodos não consecutivos), tornando-se o político que mais tempo ocupou o cargo na história do estado.

Sua gestão é associada a um perfil administrativo considerado técnico e discreto. Projetos de infraestrutura, como o início das obras do Rodoanel Norte em 2013, são citados como exemplos de sua atuação executiva.

Na área de segurança pública, os dados de longo prazo mostram queda nos índices de homicídios no estado a partir dos anos 2000, período que atravessa diferentes governos, incluindo os de Alckmin. Especialistas, no entanto, apontam que esses resultados decorrem de múltiplos fatores, o que dificulta atribuições diretas a um único gestor.

Acusações de caixa dois, crise hídrica e “máfia da merenda”
Apesar da imagem de gestor estável, sua trajetória não esteve livre de controvérsias.

O episódio mais recorrente em sua avaliação política é a crise hídrica de 2014–2015 na Região Metropolitana de São Paulo. A grave crise hídrica da época passou a integrar o que analistas chamam de “passivo reputacional” de seu governo.

No campo judicial, Alckmin também enfrentou acusações relacionadas a suposto caixa dois em sua campanha de 2014. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, que, em 2024, determinou o trancamento da ação por considerar frágeis as provas remanescentes após anulações processuais. A decisão reduziu o risco jurídico direto, mas o tema permanece com potencial de exploração política em contextos eleitorais.

Seu nome também apareceu em delações de executivos da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato, que mencionavam supostos repasses não contabilizados a campanhas políticas. As acusações foram encaminhadas à Justiça, mas posteriormente perderam força com decisões que anularam provas obtidas em acordos de leniência e delações, o que levou ao arquivamento ou paralisação de investigações relacionadas ao caso.

Outro episódio de forte repercussão foi o chamado escândalo da “máfia da merenda”, revelado entre 2015 e 2016. Investigações do Ministério Público apontaram um esquema de desvio de recursos destinados à merenda escolar em São Paulo envolvendo membros da gestão Alckimin e contratos com cooperativas. Embora Alckmin não tenha sido denunciado no caso, críticos apontaram falhas de fiscalização durante sua gestão. O governador argumentava que a invstigações foram iniciadas em sua gestão.

Do PSDB ao PSB: a guinada estratégica de Geraldo Alckmin
Durante mais de três décadas, Geraldo Alckmin foi um dos principais nomes do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), legenda da qual foi um dos fundadores e pela qual disputou duas eleições presidenciais, em 2006 e 2018.

A inflexão mais relevante de sua trajetória ocorreu no fim de 2021, quando deixou o PSDB e se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) para compor a chapa com Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.

A mudança marcou não apenas uma reconfiguração partidária, mas também simbólica: Alckmin deixou de ser um dos principais quadros associados ao campo de centro-direita para integrar uma frente ampla liderada pela esquerda. O movimento foi interpretado por aliados como pragmático, mas gerou forte reação de críticos.

Entre os principais questionamentos, ganharam destaque declarações antigas do próprio Alckmin contra Lula, resgatadas por adversários políticos. O deputado federal Eduardo Bolsonaro trouxe à tona uma publicação feita por Alckmin em 2017, na qual o então tucano criticava duramente o petista:

“Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder. Ou seja, quer voltar à cena do crime. Será que os petistas merecem uma nova oportunidade? Fiquem certos de uma coisa, meus amigos: nós os derrotaremos nas urnas.”

Ao republicar o conteúdo em dezembro de 2021, Eduardo Bolsonaro questionou a mudança de posicionamento do ex-governador: “Lula não mudou, pelo contrário está mais radical do que nunca. O que será que motiva Alckmin a se aproximar de um condenado?”

As críticas extrapolaram o campo político. A economista Renata Barreto ironizou a reaproximação, destacando a mudança de discurso ao longo dos anos:
“Em poucos anos, Alckmin saiu de criticar o PT e dizer que queriam voltar à cena do crime, para ser comparado com Fidel Castro e ser chamado de ‘camarada’… Que fim, hein?”

No campo da esquerda, a aliança também não foi unanimidade. A então deputada federal Gleisi Hoffmann, uma das principais críticas à aliança, reconheceu a importância prática da composição, em entrevista à CNN Brasil:
“A gente faz alianças para ganhar e viabilizar programa. Ela não é desejo pessoal, mas construção política. E ela não passa só por pessoas.”

A migração de Alckmin, portanto, sintetiza uma das principais marcas da política brasileira recente: a flexibilização de alianças em nome de viabilidade eleitoral e governabilidade, ainda que ao custo de tensões internas e críticas públicas.

Vice-presidente e ministro
Desde 2023, Alckmin ocupa simultaneamente os cargos de vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Nesse período, sua atuação esteve associada principalmente à agenda econômica, especialmente em temas ligados à indústria, comércio exterior e negociação internacional. Em um contexto de disputas comerciais e medidas tarifárias, sua presença foi vista como um elemento de interlocução com o setor produtivo.

O papel na chapa com Lula
A escolha de Alckmin como vice em 2022, e sua manutenção em 2026, tem um significado político claro: ampliar a base de apoio e reduzir resistências em segmentos mais moderados do eleitorado.
Sua trajetória, construída em São Paulo e marcada por vitórias eleitorais expressivas (como a reeleição em 2014 com mais de 57% dos votos válidos), reforça seu capital político.
Além disso, sua posição dentro do PSB, onde ocupa função de destaque na executiva nacional, indica que se trata de um líder importante.

Ideias e posicionamento
No plano discursivo, Alckmin tem enfatizado temas como democracia, institucionalidade e estabilidade política. Declarações recentes associadas ao PSB reforçam essa linha, posicionando-o como um defensor do regime democrático em um contexto de polarização.
Programaticamente, sua atuação recente está mais vinculada à agenda econômica e industrial, embora não haja, até o momento, um plano detalhado de governo para 2026 formalmente registrado.

Entre riscos e oportunidades
A presença de Alckmin na chapa governista traz, ao mesmo tempo, ativos e desafios.
Entre as oportunidades, está sua experiência administrativa e capacidade de articulação. Além disso, transmite simboliza uma frente ampla que engloba diferentes grupos de esquerda e social-democracia.
Por outro lado, há riscos associados à sua trajetória, especialmente a reativação de temas como o caso Odebrecht ou críticas à gestão da crise hídrica, que tendem a ser explorados em disputas eleitorais.

Em 2026, ao retornar como candidato a vice-presidente, ele reafirma esse papel: o de um articulador que transita entre campos políticos distintos e que, mais do que protagonista isolado, atua como peça-chave na engenharia das coalizões brasileiras.

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