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Lula busca reconectar PT ao novo perfil da classe trabalhadora

Lula tenta recompor vínculos do PT com trabalhadores de aplicativos em meio às eleições e ao debate sobre direitos e regulamentação do trabalho por plataformas

Votos de entregadores e motoristas de aplicativos se tornaram um campo de batalha central para tentativa de reeleição do presidente (Foto: Mario Tama/Getty Images)
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  • Lula diz que o PT perdeu a conexão com a classe trabalhadora, devido à expansão do trabalho por aplicativos, tornando necessário reconectar o partido com o eleitorado antes das eleições de outubro.
  • O governo busca regulamentar o trabalho de apps, com proposta para renda mínima, transparência dos algoritmos e proteção previdenciária para motoristas e entregadores.
  • Dados do IBGE indicam que, entre 2015 e 2025, o setor de apps cresceu 170%, totalizando 2,1 milhões de trabalhadores; 84% são homens e 47% têm entre 25 e 39 anos.
  • Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral, lidera a estratégia do governo, com foco na redução da jornada de seis dias por semana em setores com folga reduzida (jornada 6×1).
  • A proposta enfrenta resistência do setor privado e pode não trazer retorno eleitoral imediato; o governo pretende aprová-la no primeiro semestre, antes da queda de ritmo no Congresso com as eleições.

Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta o desafio de reconectar o PT ao novo perfil da classe trabalhadora diante das eleições de outubro. O presidente, ligado ao movimento sindical, reconhece a perda de vínculo com trabalhadores após a expansão do trabalho por aplicativos.

A constatação vem em meio a críticas internas e a uma corrida por votos. O PT já não conta automaticamente com o apoio de trabalhadores de bairros industriais, que antes sustentaram o partido nas eleições. Lula fala em recuperar a relação e dialogar com o povo.

Segundo analistas, a mudança ocorre com a transição de empregos formais para trabalhos informais na economia digital. A empresa de aplicativos altera a percepção de dignidade e autonomia, influenciando a preferência política de parcela da base.

Para o governo, a prioridade é retomar o diálogo com trabalhadores formais e informais, incluindo motoristas e entregadores de aplicativos. A iniciativa envolve propostas para reduzir a jornada e garantir direitos mínimos de trabalhadores digitais.

A liderança do PT admite que a dificuldade já impactou eleições locais e impulsiona nova estratégia para a disputa presidencial. O objetivo é manter presença nos territórios, especialmente nas periferias, sem afastar-se dos bairros pobres.

Guilherme Boulos, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, coordena a agenda para esse recuo estratégico. A proposta central figura em uma tentativa de regulamentar o trabalho por apps, buscando proteção social e transparência algorítmica.

Ponto central: trabalho por aplicativos

A meta é aprovar uma emenda constitucional para reduzir jornadas em setores com alta demanda de folga, além de criar regras para remuneração e previdência dos motoristas e entregadores. O tema envolve lobby de setores de tecnologia.

O debate envolve também a flexibilidade do trabalho, custo de leis mais rígidas e impacto econômico. Entidades ligadas ao setor afirmam que a medida pode tornar o mercado mais engessado e aumentar custos.

Governistas veem potencial eleitoral na regulamentação, mas o projeto enfrenta resistência entre representantes de plataformas. O setor sustenta que propostas atuais restringem a dinâmica do trabalho e elevam custos.

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