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Lula é acusado de exagerar ao comparar reforma agrária entre governos

Dados do Incra mostram que, apesar do discurso de Lula, FHC desapropriou mais terras que todos os governos do PT, com queda nas gestões petistas e uso de compra e regularização

FHC desapropriou mais que o dobro de terras do que todos os governos do PT
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  • Lula afirmou que o PT lidera a política de reforma agrária, questionando quem assentou mais quilombolas e quem disponibilizou mais terras para reforma.
  • Dados do Incra, obtidos pela LAI via Fiquem Sabendo, indicam que a desapropriação de terras recuou na prática, inclusive nos governos petistas, com nenhum hectare desapropriado nos dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula.
  • Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) foi responsável pela maior parte das desapropriações, totalizando 10.278.208 de hectares, mais do que o somatório dos mandatos do PT (4.724.681 ha).
  • Entre 1999 e 2002 houve queda gradual e, sob Jair Bolsonaro, houve interrupção, com a desapropriação zerada; em 2025 houve retomada com 13.308 hectares desapropriados.
  • Entre 2023 e 2026, o governo de Lula passou a usar compra, doação e regularização fundiária para obter terras, com 577,6 mil hectares adquiridos nesse período; em janeiro de 2026 foi anunciado um pacote de R$ 2,7 bilhões para a reforma agrária, incluindo regularização, assentamentos e ações ligadas ao Terra da Gente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na quinta-feira (2 de abril de 2026), que o PT lidera a política de reforma agrária no Brasil. A fala foi acompanhada de dados que contrariam a percepção de evolução dos investimentos em desapropriação de terras.

Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), pelo projeto Fiquem Sabendo, indicam que a desapropriação — principal ferramenta da reforma agrária — perdeu força nos últimos anos, inclusive durante governos petistas. Nos dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula, nenhum hectare foi desapropriado.

Historicamente, o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995–2002) mais avançou com desapropriações, acumulando cerca de 10,28 milhões de hectares. Em contraste, o total desapropriado durante os mandatos petistas é de aproximadamente 4,72 milhões de hectares, conforme os dados consolidados até 2016.

Desde o segundo mandato de FHC, a reforma agrária entrou em desaceleração, chegando a zero durante o governo de Jair Bolsonaro. O retorno ocorreu em 2025, com a desapropriação de 13,3 mil hectares.

Mudanças de abordagem sob Lula

O governo Lula 3 passou a priorizar mecanismos alternativos para obtenção de terras, como compra, doação e regularização fundiária. Entre 2023 e 2026, essas vias renderam aproximadamente 578 mil hectares, com a maior parte vindo de compras de terras e as desapropriações representando parcela menor.

O Planalto também alterou a maneira de apresentar resultados, destacando o total de famílias atendidas por políticas fundiárias, em vez de apenas hectares desapropriados.

Em janeiro de 2026, o governo anunciou um pacote de 2,7 bilhões de reais para ações de reforma agrária, incluindo compra de fazendas, crédito, habitação e apoio à produção em assentamentos. As medidas visam regularizar 32,3 mil hectares e criar novos assentamentos dentro do programa Terra da Gente.

Paulo Teixeira, à época ministro do Desenvolvimento Agrário, afirmou que 2026 deve registrar a maior entrega de ações do atual mandato, com ampliação de assentamentos e desapropriações. O Poder360 solicitou posicionamento do ministério; ainda não houve resposta até a publicação.

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