- Lula pediu que Alexandre Silveira permaneça no governo para viabilizar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e evitar atritos com Minas Gerais.
- A permanência de Silveira é parte da costura política para destravar a tramitação da indicação de Messias, com condicionante de Alcolumbre sobre uma possível candidatura mineira.
- A relação entre Alcolumbre e Silveira vem se desgastando por resistências a mudanças em agências reguladoras e por divergências na Conta de Desenvolvimento Energético.
- Rodrigo Pacheco informou a Lula que não pretende dividir palanque com Silveira e mudou de partido, movendo-se do PSD para o PSB.
- Com a decisão, Silveira deve permanecer no governo para manter a articulação com o Congresso, coordenar a campanha de reeleição de Lula e sustentar a governabilidade com o PSD.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter Alexandre Silveira no governo. A orientação foi dada em reunião na semana passada, com o objetivo de sustentar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF. A medida impede que Silveira dispute o Senado por Minas Gerais em 2026, o que poderia atrapalhar a relação entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Essa escolha integra a costura para viabilizar Messias no STF e evitar impasses com o poder Legislativo. Alcolumbre condicionou a tramitação do nome do AGU à eventual afastação de Silveira das eleições mineiras. Mesmo assim, não há garantias de aprovação de Messias pelo Senado.
A relação entre Alcolumbre e Silveira está desgastada há meses por divergências em órgãos reguladores e na CDE, base da Conta de Desenvolvimento Energético. Silveira resistiu a indicar nomes de sua confiança na ANP, mantendo escolhas próprias. Isso alimenta a tensão com o Parlamento.
Alcolumbre tenta frear a candidatura de Silveira a senador. Em 2022, com uma vaga em jogo, Silveira ficou em 2º lugar em Minas Gerais, atrás de Cleitinho Azevedo. Em 2026, com duas vagas em disputa, o cenário pode favorecer mudanças.
O senador Rodrigo Pacheco, aliado de Alcolumbre e atual aliado de Silveira no passado, indicou a Lula que não pretende dividir palanque com o ministro. Pacheco também trocou de partido, saindo do PSD para o PSB, o que reforça o reordenamento político em Minas.
Lula, ao acatar as condições, atuou nos bastidores para que Silveira permaneça no governo e preserve a articulação política do Planalto. A permanência do ministro evita desgaste institucional com o Congresso e facilita a condução de agenda federativa.
O que Lula pediu a Silveira foca quatro frentes. Em primeiro lugar, articulação com o Congresso, com reajustes na Esplanada para recompor canais com o Legislativo. Em segundo, coordenação eleitoral para a reeleição, ao lado de Edinho Silva, fortalecendo uma frente ampla.
Terceiro, a disputa de 2º turno é considerada provável contra Flávio Bolsonaro. O Planalto busca conter migrações de PPS para o campo adversário, com Silveira atuando para conter esse movimento. Por fim, a governabilidade futura envolve manter o diálogo com Kassab para apoiar um possível novo mandato de Lula.
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