Em Alta NotíciasConflitosPessoasAcontecimentos internacionaiseconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Pauta ambiental enfrenta entraves entre evangélicos

Alianças políticas e prioridades institucionais ajudam a explicar o baixo engajamento ambiental entre evangélicos, apesar do potencial de mobilização

No no Brasil mais de 90% da população se identifica com alguma religião
0:00
Carregando...
0:00
  • Pauta ambiental avança com dificuldade entre evangélicos no Brasil, em razão de alianças políticas e redes institucionais que moldam prioridades.
  • No Brasil, mais de 90% da população se identifica com alguma religião, e os evangélicos já superam um quarto da população.
  • Pesquisas mostram que valores religiosos podem ser ativados ou desativados pelo contexto político e social, e que a informação das igrejas influencia atitudes mais do que a doutrina.
  • Embora haja discurso de cuidado com a criação, a transformação prática depende de capacidade de coordenação das igrejas e de evitar alianças com setores contrários à agenda ambiental.
  • Abertura para mudanças passa por diálogo mais sensível, parcerias com gestores públicos e movimentos ambientalistas, e por tornar a pauta ambiental uma prioridade institucional nas comunidades evangélicas.

Nas últimas décadas, o Brasil acumulou dados e propostas técnicas para enfrentar o aquecimento global. Ainda assim, não houve a transformação social desejada, e os impactos ambientais recaem de forma desigual sobre populações vulneráveis.

A relação entre ciência, valores morais e religião influencia o engajamento ambiental. A maneira como comunidades entendem a natureza é socialmente construída, o que dá espaço para que religiões atuem como atores nesse debate.

Aqui, o foco é o segmento evangélico. No Brasil, mais de 90% da população se identifica com alguma religião, e os evangélicos já respondem por mais de um quarto da população.

Evangélicos e ambientalistas no Brasil

Religiões podem orientar práticas cotidianas e valores diante da natureza. Entre cristãos, há debates sobre o papel da criação e da responsabilidade humana na degradação ambiental. Discursos variam conforme denominações e contextos.

No Brasil, já houve momentos de orientação espiritual sobre cuidado ambiental, inclusive entre neopentecostais. Contudo, transformar discurso em ação institucional tem sido mais desafiador, com pouca prioridade prática nas estruturas religiosas.

A última avaliação aponta que haveria distância entre declarações de compromisso ecológico e ações organizacionais efetivas. Ou seja, é comum reconhecer o cuidado com a criação sem que isso vire prioridade institucional.

Uma pauta dos aliados

As igrejas costumam depender de alianças políticas e econômicas para manter obras e regularizar templos. Esses vínculos trazem benefícios, mas podem reduzir o espaço para pautas ambientais, especialmente quando setores aliados resistem a regulações.

Grupos ligados ao agronegócio e a políticas de direita costumam questionar ou estigmatizar medidas ambientais. A relação entre fé, poder e recursos pode assim frear iniciativas ecológicas.

Apesar disso, há potencial para mudanças. As igrejas têm grande capacidade de mobilização local e redes institucionais que, se alinhadas à agenda ambiental, podem ampliar impactos concretos.

Para avançar, gestores públicos e movimentos ambientais devem dialogar com mais sensibilidade, buscando parcerias que evitem estigmas. A crise climática exige novas formas de engajamento, inclusive junto a grupos que hoje ficam à margem do debate.

Renan William dos Santos é Doutor e Mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais