- Apenas quatro senadores fizeram perguntas a Gabriel Galípolo na CPI do Crime Organizado: Fabiano Contarato, Alessandro Vieira, Eduardo Girão e Sergio Moro.
- Os outros 7 titulares presentes da comissão não questionaram o presidente do Banco Central; Roberto Campos Neto não esteve presente.
- O debate ocorreu em meio a investigações sobre o caso Master, que envolve possível delação premiada e reflexos nos Três Poderes.
- O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025; o BRB já havia comprado carteiras do Master por 12,2 bilhões de reais.
- O rombo no Fundo Garantidor de Créditos relacionados ao Master chegou a quase 52 bilhões de reais, gerando prejuízos para estados e municípios.
Nesta quarta-feira (8 abr 2026), a CPI do Crime Organizado ouviu Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, sobre o caso Master. A sessão ocorreu com o plenário esvaziado e sem a presença do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto. Galípolo explicou a atuação do BC no episódio e os desdobramentos da investigação em curso.
A comissão teve apenas quatro senadores que fizeram perguntas sobre o assunto: Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI; Alessandro Vieira (MDB-SE), relator; Eduardo Girão (Novo-CE) e Sergio Moro (PL-PR). Dos 11 titulares, outros três estiveram presentes, mas não levantaram questionamentos. O tema envolve possível acordo de delação premiada e impactos nos Três Poderes.
O caso Master envolve o fundador Daniel Vorcaro, que está preso pela segunda vez desde 4 de março. A PF e o Ministério Público investigam corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos. A investigação ganhou impulsos após reunião entre Vorcaro, Galípolo e o presidente Lula no Planalto, em dezembro de 2024, cuja pauta não foi detalhada pelo BC à época.
BRB e o rombo no Master
O Banco Central identificou créditos problemáticos do Master durante a negociação de compra em 2025 pelo BRB, estatal do Distrito Federal. O BRB, que comprou carteiras do Master no valor de 12,2 bilhões, passou a enfrentar dificuldades financeiras e apresentou, em fevereiro, um plano de capital para recompor o balanço e reforçar a liquidez.
Em 2025, o BC confirmou a ausência de lastro em carteira de crédito. Em julho, foram avisadas as autoridades competentes, Ministério Público Federal e PF, sobre as falhas. A primeira fase da operação Compliance Zero ocorreu em novembro, com desdobramentos criminais e administrativos.
O BC aponta que duas frentes de apuração existem: uma pela CGU, com sanções administrativas, e outra pela PF, com apurações criminais. Entre os suspeitos no entorno do caso estão Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ligados à área de Supervisão Bancária, afastados em março deste ano.
Panorama financeiro e consequências
O Master liquidou suas atividades em novembro de 2025. O rombo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chegou a quase 52 bilhões de reais, gerando impacto indireto em estados e municípios por meio de fundos de previdência. O BRB busca se recuperar financeiramente após adquirir ativos do Master e enfrentar perdas associadas.
Entre na conversa da comunidade