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Galípolo aponta dificuldade em identificar irregularidades no BC

Galípolo afirma ser difícil identificar irregularidades de supervisores do Banco Central na investigação do caso Master, em sessão da CPI do Crime Organizado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado pela CPI do Crime Organizado para explicar a atuação do Banco Central no caso Master
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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse ser difícil identificar irregularidades em condutas de supervisores da instituição ao comentar o caso Master.
  • Dois servidores do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, são suspeitos de facilitar interesses do Master; a CGU abriu processos administrativos disciplinares.
  • Quatro auditorias externas independentes (PwC, KPMG, EY e Crowe) teriam aprovado as contas do Master; a Fitch Ratings elevou a nota de rating em novembro de 2024.
  • O BC afirmou que o arcabouço do Master mostrava evolução de rating, auditorias e atuação de escritórios de advocacia, e criou um grupo separado de análise para evitar fraudes.
  • O Banco BRB comprou carteiras do Master em 2025 por 12,2 bilhões; o Master foi liquidado em novembro de 2025 e Vorcaro fechou acordo de confidencialidade com a PF e a PGR, abrindo possibilidade de delação premiada.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou nesta quarta-feira (8 abr 2026) que é difícil identificar irregularidades em condutas de supervisores da instituição no caso Master. A manifestação ocorreu durante a CPI do Crime Organizado, que investiga a atuação do BC no episódio envolvendo o Banco Master.

O depoimento envolve suspeitas contra Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ambos servidoras do BC, apontados pela CGU como possíveis facilitadores de interesses do Master. Souza atuou como diretor de Fiscalização entre 2017 e 2023, sob governos de Temer e Bolsonaro.

Galípolo destacou que os dois têm longa carreira no BC, de 28 anos, e afirmou que Souza recebia propostas para atuar no mercado após deixar a diretoria. Ele explicou que o tema envolve análise sobre possíveis vantagens indevidas e influências sobre a atuação dos supervisores.

O presidente do BC mencionou que caberá à Justiça examinar eventuais irregularidades. Em defesa de medidas internas, sugeriu rodízios entre supervisores para reduzir riscos de fraude, defendendo limitação de tempo no cargo para cada instituição supervisionada.

Sobre o caso Master, Galípolo destacou que, em novembro de 2024, a Fitch Ratings elevou a nota de risco da instituição. Também citou quatro auditorias externas independentes que teriam validado as contas: PwC, KPMG, EY e Crowe. A avaliação de ativos por escritórios de advocacia também foi mencionada.

Segundo ele, o arcabouço do Master indicava evolução de rating, auditorias e pareceres jurídicos positivos, com avaliação de que tudo estava em conformidade. O BC chegou a considerar que afastamentos precipitados poderiam soar como perseguição a determinada instituição.

Para o BC, um grupo separado de supervisores foi criado para realizar as análises pertinentes ao caso Master. Galípolo foi chamado a esclarecer a atuação do BC no que ficou conhecido como o maior escândalo bancário da história brasileira.

O episódio envolve ainda o fundador do Master, Daniel Vorcaro, que permanece preso. Ele foi alvo de investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos. Vorcaro assinou em março de 2026 acordo de confidencialidade com PF e PGR, abrindo possibilidade de delação premiada.

O relator da CPI é o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe. Em 2024, Galípolo participou de uma reunião fora da agenda com Vorcaro, Lula e outras autoridades no Planalto, sem informar o encontro ao então presidente do BC, Roberto Campos Neto.

O caso envolve também o BRB, banco estatal do Distrito Federal, que comprou carteiras do Master por cerca de 12,2 bilhões de reais. A operação deixou o BRB com dificuldades financeiras e elevou incertezas sobre o balanço da instituição.

O BC identificou créditos considerados sem lastro em 2025, durante a negociação de venda do Master ao BRB. As apurações envolvem o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, que realizaram a primeira fase de investigações em 2023, com desdobramentos em 2024 e 2025.

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