- O governo argentino aprovou mudanças na lei dos glaciares para que governos provinciais decidam se os glaciares são estratégicos e possam ser removidos do inventário nacional.
- Se não forem considerados estratégicos, os glaciares podem perder proteção ambiental e ficar sujeitos a projetos de mineração e exploração.
- A mudança provocou protestos em todo o país, com campanhas como “los glaciares no se tocan” e discussões públicas sobre o risco à água de milhões de pessoas.
- O Chile e outras regiões vizinhas já discutem o uso de cobre e lítio; empresários de mineração veem a reforma como oportunidade de investimento, estimulado por autoridades locais.
- Em Mendoza, a proprietária de vinícola Virginia de Valle diz que a água dos Andes sustenta as lavouras e o consumo doméstico, e que a mudança pode colocar esse abastecimento em risco.
Argentina enfrenta mudanças na proteção de geleiras, com impactos potenciais para a água agrícola e o consumo humano. Em Mendoza, região vinícola aos pés dos Andes, produtores já veem a água como recurso essencial para as vinhas, especialmente em anos de chuvas abaixo da média.
A medida, aprovada pela Câmara dos Deputados, transfere para governos provinciais a decisão sobre a importância estratégica das geleiras. Caso consideradas não estratégicas, elas podem deixar o inventário nacional, abrindo espaço para atividades de mineração e outras explorações.
O que mudou
Antes, a proteção das geleiras era lei nacional desde 2010, impedindo atividades que prejudicassem reservas hídricas e o entorno periglacial. Agora, caberá aos governos locais avaliar se cada região utiliza as geleiras para consumo humano, agricultura, biodiversidade, ciência ou turismo.
Por que preocupa
Críticos afirmam que a mudança pode comprometer o fluxo de rios andinos e a segurança hídrica de milhões de pessoas. Ambientalistas destacam o risco de reduzir a proteção de áreas relevantes para água, ecossistemas e comunidades locais.
Repercussões locais
No setor rural, produtores ressaltam que menor proteção pode facilitar projetos de mineração de cobre e lítio. Eles dizem que a mudança tende a atrair investimentos e acelerar a transição energética, com benefício econômico regional.
Opiniões e evidências científicas
Especialistas afirmam que qualquer geleira contribui para o regime de água de rios, e que a incerteza sobre critérios e autoridades envolvidas dificulta prever consequências. Cientistas defendem critérios claros e avaliações de impactos para a água e o meio ambiente.
O que vem pela frente
Regiões áridas ou semiáridas, como Mendoza, acompanham o debate com atenção. Governos locais podem priorizar grandes projetos de mineração em detrimento da conservação de ecossistemas e de comunidades que dependem da água. A discussão permanece em curso.
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