- Em janeiro e fevereiro de 2026, policiais mataram 130 pessoas no estado de São Paulo, com média de duas mortes por dia, 41% acima do mesmo período de 2025.
- O estado teve 276 mortes provocadas por intervenções policiais no quarto trimestre de 2025, o maior número já registrado em um trimestre desde 1996.
- Na Baixada Santista, foram 23 mortes no primeiro bimestre de 2026, alta de 283% ante 2025, com Guarujá, Santos e Cubatão concentrando os casos.
- A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e os Baep (Batalhões de Ações Especiais de Polícia) seguem como destaques na letalidade; a Rota registrou 67 mortes no ano passado e 22 neste ano até o momento.
- O governo de Tarcísio de Freitas afirma ter intensificado o enfrentamento à criminalidade violenta, com operações de alta complexidade, e a Secretaria de Segurança Pública garante que todas as ocorrências são rigorosamente investigadas e que policiais são punidos quando houve irregularidade.
O estado de São Paulo registrou 130 mortes provocadas por policiais militares e civis em janeiro e fevereiro de 2026, segundo levantamento local. A média é de duas ocorrências por dia, o que representa um crescimento de 41% em relação ao mesmo período de 2025. A tendência de alta persiste após o recorde de 276 mortes em intervenções policiais no último trimestre de 2025.
Baixada Santista concentra elevação
A alta fica puxada pela região metropolitana da Baixada Santista, área já marcada por ações mais letais das forças de segurança. Em 2024 e 2023 ocorreram operações de alto impacto que deixaram saldo de 84 mortos no litoral. Em 2025, a Baixada registrou seis mortes nos primeiros dois meses; neste ano, chegou a 23, um aumento de 283%.
No conjunto do estado, também houve queda nos crimes em janeiro e fevereiro, segundo as autoridades. Homicídio doloso caiu 7,5% frente a 2025, e o roubo, o furto e demais indicadores apresentaram recuos. Contudo, feminicídios mantiveram-se elevados, com 56 ocorrências nos dois primeiros meses.
O que se sabe sobre os casos e a atuação policial
Entre os casos que compõem o atual levantamento, destacam-se episódios em Guarujá, Santos e Cubatão. Em 23 de janeiro, em Santos, e em 30 de janeiro, em Cubatão, ocorreram duas séries de mortes em momentos distintos. Em janeiro, um policial militar de folga matou um jovem na Brasilândia, na zona norte de São Paulo, após uma discussão de trânsito; o cabo responsável foi preso.
Questionada sobre o aumento, a Secretaria de Segurança Pública disse que houve intensificação do enfrentamento à criminalidade violenta e organizada, com operações de alta complexidade e risco. A pasta afirmou ainda que, na área de Deinter-6 (Santos), homicídios dolosos, furtos e roubos registraram quedas, com o roubo atingindo o menor patamar da série histórica.
A secretaria reforçou que todas as ocorrências são rigorosamente investigadas, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Judiciário. Também informou que, desde 2023, mais de 1.300 policiais foram presos, expulsos ou demitidos, fortalecendo o papel das corregedorias.
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