- A oposição saiu derrotada no Senado após a derrubada, nesta terça-feira, do relatório da CPI do Crime Organizado que previa indiciar ministros do STF e o PGR, interrompendo as investigações sobre o caso Master.
- Com foco na campanha de 2026, parlamentares planejam explorar politicamente o caso Master, destacando candidatos a senadores comprometidos com impeachment de magistrados.
- O acordo político com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, levou à rejeição da leitura do requerimento da CPMI do Master, em troca da votação do veto à redução de penas do 8 de janeiro.
- Ministros do STF reagiram, com aliados discutindo medidas contra o relator Alessandro Vieira e apontando suposta blindagem de autoridades; o STF também citou desvio de finalidade da CPI.
- A possibilidade de instalação da CPMI do Master no Congresso para 30 de abril é vista como improvável, devido ao acordo político e à pauta única.
O relatório da CPI do Crime Organizado, que previa indiciar ministros do STF e o procurador-geral da República, foi derrubado no Senado nesta terça-feira (14). A derrota encerra a tentativa de aprofundar investigações sobre o caso Master no Congresso.
A oposição pretendia instrumentalizar o tema na campanha de 2026, com foco em candidatos a senadores favoráveis ao impeachment de magistrados da Corte. A manobra era vistas como uma maneira de ampliar o capital político em torno do tema.
A decisão ocorreu em meio a decisões monocráticas do STF e a manobras da bancada governista, que, segundo críticos, dificultaram as investigações. O funcionamento do processo é visto como mais uma batalha entre poderes na seara eleitoral.
A oposição, sem espaço no Legislativo, vê o episódio como sinal de blindagem de autoridades e promete novas ações. Ministros do STF chegaram a sugerir medidas para restringir a elegibilidade de críticos do tribunal.
O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) defendia a abertura da CPMI do Master para dar continuidade às apurações. Contudo, não houve leitura do requerimento na sessão marcada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).
A CPI do Crime Organizado no Senado registrou o oitavo relatório final derrubado por senadores desde 1975, evidenciando a dificuldade de transformar investigações em ações políticas efetivas. Mesmo assim, os indícios e obstáculos alimentam a pauta eleitoral.
Contexto e reações
Eduardo Girão (Novo-CE) manteve apoio ao relatório, citando infiltração do Master nos três Poderes e a autoproteção de poderosos. Parlamentares ligados ao Centrão, como Maurício Marcon (PL-RS), criticaram mudanças na comissão para enterrar o relatório.
Senadores oposicionistas destacaram críticas ao que chamaram de cerceamento de investigações pelo STF. Sergio Moro (PL-PR) apontou pressões sobre apurações e defendeu responsabilização de autoridades. Magno Malta (PL-ES) também criticou as intervenções do STF.
Medidas do STF e desdobramentos
O STF reagiu de forma crítica à inclusão de ministros no relatório. Gilmar Mendes solicitou à PGR abertura de investigação contra o relator, alegando abuso de poder. Dias Toffoli defendeu medidas contra ataques a instituições na campanha eleitoral.
O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota de apoio aos colegas e rejeitou o uso político do caso. A análise aponta para um possível risco de inelegibilidade para candidatos que atacam o Judiciário.
Entre na conversa da comunidade