- Andoni Lorenzo foi reeleito por quatro anos à frente do Foro Español de Pacientes, organização que representa pacientes e defende seus direitos.
- Ele pede um pacto de Estado pela sanidade e maior participação do debate político sobre o tema.
- Lorenzo destaca que sessenta por cento da população espanhola sofre de doença crônica (55% a 54% conforme a reportagem) e aponta o agravamento da crise do sistema público com o crescimento dos seguros privados.
- O fórum critica a ausência de pacientes em mesas técnicas importantes, como a de reconstrução durante a Covid, e cobra reconhecimento legal da entidade.
- Defende aumento do diálogo interterritorial, interoperabilidade de dados e foco na prevenção para reduzir desigualdades, filas de espera e a pressão sobre o sistema de saúde.
Andoni Lorenzo, presidente do Foro Español de Pacientes (FEP), lidera a organização há uma década e busca ampliar o diálogo com o poder público. Em entrevista a este jornal, ele defende um pacto de Estado pela sanidade e lembra que o debate político precisa retornar ao tema. A população espanhola enfrenta alta demanda por serviços.
Lorenzo destaca que o FEP nasceu em 2004 para atuar como guarda-chuva de entidades ligadas a cada patologia. Hoje, o objetivo é ampliar a visibilidade dos direitos dos pacientes e fortalecer a relação com autoridades, sociedades científicas e profissionais de saúde. O foco é cooperação e profissionalização.
A conversa enfatiza a necessidade de diálogo com a Administração e a evolução no tratamento da interlocução. O porta-voz afirma que o trato com o governo deixou de ser paternalista e passou a exigir formação, com participação constante de representantes do setor. A ideia é consolidar a igualdade na relação com órgãos públicos.
Entre os temas, Lorenzo aponta avanços e lacunas. Observa que, no período da covid, a mesa de reconstrução recebeu muitos especialistas, mas poucos pacientes. Hoje, o entendimento é de que pacientes devem ter voz em políticas de saúde e nos planos estratégicos, como o 2026-2030, que orienta ações futuras.
O relato também trata da legalização do FEP como entidade reconhecida. O líder comenta que ainda não há reconhecimento formal, e cita a possibilidade de uma Lei de Organizações de Pacientes como caminho para criar uma referência similar a sindicatos ou organizações de consumo na saúde. O objetivo é ampliar o protagonismo da cidadania.
Sobre acesso a tratamentos, o dirigente aponta a necessidade de ampliar o intercâmbio entre autonomias. O discurso é por decisões vinculantes no Conselho Interterritorial e pela interoperabilidade de dados, com a transposição de normas europeias para que pacientes tenham caminho único, independentemente da residência.
Quanto às desigualdades e às listas de espera, o FEP ressalta que pelo menos seis milhões de espanhóis estão em listas de espera em algum momento, sem detalhar regiões. O crescimento de políticas de saúde privadas, com cerca de três milhões de apólices desde a pandemia, é visto como efeito colateral da crise do sistema público.
Lorenzo defende também o fortalecimento de políticas de prevenção e a igualdade no acesso a diagnósticos e tratamentos, independentemente do código postal. Ele afirma que a sanidade deve ocupar lugar central na agenda política, ao lado de políticas sociais e de apoio a cuidadores.
Sobre a humanização do atendimento, o presidente reconhece a pressão sobre profissionais de saúde. A aposta é que a tecnologia, com registro de conversas e apoio de IA, possa melhorar a gestão e manter o contato humano na consulta, sem reduzir a qualidade do atendimento.
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