- O depoimento sigiloso do promotor Lincoln Gakiya foi determinante para a troca do ex-comandante da PM, coronel José Augusto Coutinho, pela coronel Glauce Anselmo Cavalli, a pedido do governador Tarcísio de Freitas.
- O Gaeco indicou que Coutinho teria sido informado sobre propinas pagas pela cúpula do PCC a policiais da Rota e que houve omissão na atuação, levando à análise de conduta do comandante.
- O governo de São Paulo afirmou que Coutinho pediu afastamento por motivos pessoais e que as mudanças no comando da PM seguem critérios técnicos e dentro da normalidade institucional.
- Investigações apontam para um possível núcleo de vazamentos entre oito policiais da Rota, entre eles os identificados como Cara Preta, Django, Tuta, Cebola e Japa, além de um advogado ligado ao caso.
- O delator conhecido como BH, do PCC, teria entregue áudios das conversas sobre lavagem de dinheiro e vazamentos, e, em depoimento, Gakiya relatou uma reunião na sede da Rota para tratar do tema e como a gravação caiu em mãos do PCC por suposto valor de R$ cinco milhões.
O depoimento sigiloso do promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, foi determinante para a troca do comando da Polícia Militar de São Paulo. O atual comandante, coronel José Augusto Coutinho, deixou o posto e foi substituído pela coronel Glauce Anselmo Cavalli, por decisão do governador Tarcísio de Freitas. O episódio envolve suspeitas de omissão em relação a propinas pagas pela cúpula do PCC a policiais da Rota.
Segundo o relato apresentado ao Ministério Público, houve um conjunto de informações em que o promotor e a defesa discutiam condutas de Coutinho ao tomar conhecimento de possíveis desvios. O governo afirmou que a substitute do comando seguiu diretriz técnica, e que as mudanças ocorreram para manter padrões operacionais.
A defesa de Coutinho afirma não ter tido acesso ao inquérito e sustenta que não houve alerta sobre o envolvimento de subordinados com o PCC, nem omissão de providências. O governo informou que Coutinho pediu afastamento por motivos pessoais e ressaltou que as movimentações são baseadas em critérios técnicos.
Desdobramentos da investigação
Relatos de que oito policiais da Rota estariam vinculados a um núcleo de vazamentos de informações para criminosos foram apresentados durante o andamento do caso. Entre os citados estão policiais com apelidos como Anselmo, o Cara Preta; Claudio Marcos de Almeida, o Django; e outros nomes, além de um advogado ligado ao grupo. Alistagem de envolvidos acompanha o histórico da investigação em curso.
O promotor descreveu uma reunião realizada em 30 de novembro de 2021, envolvendo Coutinho e oficiais da Rota, na qual seriam discutidos vazamentos de informações a um delator próximo ao PCC. O delator, identificado como BH, teria enviado áudios das conversas a promotores, e posteriormente o material teria sido vendido a um chefe da organização criminosa por cerca de 5 milhões de reais.
Sobre a operação Sharks
Gakiya relatou que a prisão do investigado conhecido como Tuta, durante a operação Sharks em 2020, foi dificultada pela atuação de policiais acusados de corrupção. Em depoimento, o promotor detalhou que houve contato entre a fonte de informações, a agência de inteligência da Rota e membros do Gaeco, com a possível interceptação de dados da operação.
A corregedoria da PM abriu um IPM para apurar os relatos, que incluem a atuação de policiais da Rota e de setores de inteligência na cúpula da instituição. O depoimento de Gakiya foi colhido pela corregedoria em março de 2026, quando ele descreveu o envolvimento de oficiais na troca de informações e na suposta venda de áudios.
Contexto institucional
O Palácio dos Bandeirantes informou que as mudanças no comando da PM foram feitas com o objetivo de manter a eficiência operacional e com base em critérios técnicos. A defesa de Coutinho afirma que ele nunca teve acesso integral ao material de investigação e negou as acusações de omissão. A imprensa destaca que o caso envolve tensão entre promotores, militares e a cúpula policial.
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