- A senadora Soraya Thronicke votou contra o relatório final da CPI do Crime Organizado, em 14 de abril, com resultado de seis votos a quatro, o que ajudou a impedir o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal.
- O caso de Soraya não é isolado: ao longo dos anos, nomes ligados à direita passaram por mudanças de postura, alianças e cargos, muitas vezes distante das pautas defendidas pelo eleitorado.
- Entre os exemplos citados estão Heitor Freire, Joice Hasselmann, Alexandre Frota e Nereu Crispim, que fizeram mudanças de partido, saíram de pautas da direita ou migraram para cargos ligados ao governo Lula.
- Também são mencionados Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, que, com apoio da direita, arquivaram pedidos de impeachment de ministros do STF.
- O texto aponta que a repetição de traições ao eleitorado direitista pode impactar as próximas eleições, em especial o pleito de 2026.
A senadora Soraya Thronicke votou, na terça-feira (14), contra o relatório final da CPI do Crime Organizado, encerrando o colegiado com 6 votos a 4 contra o indiciamento de ministros do STF. O desfecho reforça a discussão sobre a relação entre a direita e a atuação da Corte. O caso envolve ainda o cenário eleitoral que se aproxima.
Ao longo dos últimos anos, nomes que cresceram na órbita de Jair Bolsonaro mostraram trajetórias de difíceis conciliações com sua imagem pública. As mudanças vão além de desfiliações partidárias e atingem cargos no governo e decisões institucionais que impactam pautas da direita.
Em 2018, impulsionado por Bolsonaro, o PSL saltou de oito para 52 deputados e ganhou representatividade no Senado. Analistas apontaram uma guinada conservadora em ambas as Casas? a previsão de uma legislatura mais alinhada à agenda de direita.
Com o tempo, essa transformação apareceu menos eficiente do que prometido. Ocorreram rupturas pessoais, desvios de pautas de eleitorado e acordos com o Centrão que dificultaram pautas de impeachment de ministros do STF ou de anistia a prisioneiros do 8 de janeiro.
Casos recentes de traição e realinhamento
Soraya Thronicke foi eleita pelo PSL em 2018 e se tornou vice-líder do governo Bolsonaro em 2021. Na época, afirmou manter fidelidade às pautas defendidas pela população brasileira e pelo presidente. Em 2022, lançou candidatura própria à Presidência.
Na CPI da Pandemia, Thronicke se distanciou de Bolsonaro e, em 2026, filiou-se ao PSB, de esquerda. Em abril, votou contra o relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento de três ministros do STF.
Heitor Freire, do Podemos, foi conhecido como o parlamentar bolsonarista no Ceará. Em 2019 pediu a cassação do registro do PT, citando dados da Lava Jato, mas, em 2023, iniciou uma diretoria na Sudene em acordo com o governo Lula.
Joice Hasselmann, do PSL, foi líder da bancada na Câmara, mas saiu após conflitos internos e denunciou o gabinete do ódio. Seguiu por PSDB, Podemos e tentou reeleição em 2024 como vereadora em SP, sem sucesso.
Alexandre Frota, também do PSL, rompeu com Bolsonaro em 2019, migrou para o PSDB e, mais tarde, apoiou Lula no segundo turno de 2022. Em 2024, tornou-se vereador de Cotia pelo PDT.
Nereu Crispim, eleito pelo PSL, defendeu pautas a favor dos caminhoneiros. Em 2021 passou a acusar Bolsonaro de falhas para com o grupo e, em 2022, integrou o PSD, buscando barrar a CPI do Abuso de Autoridade.
Presidência do Senado e reordenação
Pacheco, do PSB-MG, foi eleito presidente do Senado com apoio de Bolsonaro em 2021. Em 2021, rejeitou impeachment de Alexandre de Moraes. Em 2023, foi reeleito com apoio de Lula e parte do Centrão, mantendo controle sobre pautas de interesse da casa.
Alcolumbre, do UNIÃO-AP, também ascendeu ao comando do Senado com apoio da direita. Em 2021 articulou a eleição de Pacheco. Em 2025, retornou à presidência, sob novos cenários políticos, mantendo posição crítica a pautas da direita.
Entre na conversa da comunidade