- Paulo Henrique Costa pediu transferência do Complexo Penitenciário da Papuda para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, com o objetivo de negociar colaboração premiada.
- A defesa mudou de advogados e contratou Eugênio Aragão e Davi Tangerino; Costa se reunirá com eles nesta quinta-feira.
- O movimento segue o mesmo roteiro de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, que teve a transferência autorizada após sinal de delação.
- A defesa argumenta que a colaboração não pode ser discutida na Papuda e cita como agravante a gestão local da penitenciária, ligada ao governo do Distrito Federal.
- As possíveis delações de Costa e Vorcaro podem esclarecer operações envolvendo o BRB e o Master, incluindo aquisição de carteiras fraudulentas avaliadas em cerca de 146 milhões de reais, com pagamentos já realizados de aproximadamente 74,6 milhões.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa será transferido da Penitenciária da Papuda para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após sua prisão na quarta fase da Operação Compliance Zero, no dia 16.
O objetivo é viabilizar eventual colaboração premiada, segundo a defesa, que argumenta a necessidade de que Costa possa delatar o esquema investigado.
Costa demitiu o antigo advogado Cléber Lopes e contratou os criminalistas Eugênio Aragão e Davi Tangerino, com foco em negociação de delação. A defesa conta com a orientação de Aragão, ex-ministro da Justiça, para conduzir o processo junto ao STF, onde tramita o caso.
O ex-dirigente do banco estatal deve se reunir com os novos advogados já nesta quinta-feira. O roteiro lembra o de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, que teve autorização de Mendonça para transferência para a PF após sinalizar possível delação. Vorcaro também trocou de representante para tratar de delação.
Transferência e motivos
A defesa sustenta que a colaboração não pode ser discutida na Papuda e requer condições equivalentes às de Vorcaro. Um dos motivos adicionais é que a Papuda é administrada pelo governo do Distrito Federal, o que, segundo a defesa, pode influenciar delações envolvendo o ex-governador Ibaneis Rocha.
A família de Costa desligou Cléber Lopes, que também atua na defesa de Ibaneis há tempo. Ibaneis deixou o governo em março para concorrer ao Senado; Celina Leão, vice-governadora, assumiu o Palácio do Buriti e tenta se distanciar do caso.
Fontes próximas às investigações dizem que Costa quer adiantar informações para superar Vorcaro na negociação de delação premiada. Caso Vorcaro feche acordo antes, a janela para obter informações relevantes pode, segundo as fontes, reduzir.
O papel de Ibaneis no caso envolve investigações sobre transações entre escritórios de advocacia e fundos ligados ao ecossistema do Master. O ex-governador nega irregularidades em seus atos.
As colaborações entre Vorcaro e Costa podem destrinchar a operação no Buriti, incluindo as tratativas para aquisição de carteiras de crédito fraudulentas do Master pelo BRB, num total estimado em 12,2 bilhões de reais. Ibaneis, em defesa pública, alegou que o negócio poderia render dividendos significativos ao banco.
Costa é acusado pela PF de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por propinas relacionadas à aprovação das carteiras adquiridas do Master. A investigação aponta seis imóveis, avaliados em 146 milhões de reais, como recebidos em propina, sendo quatro em São Paulo e dois em Brasília. Ao todo, 74,6 milhões teriam sido pagos.
A decisão que levou Costa à cadeia o descreveu como mandatário de Vorcaro no BRB, recebendo imóveis em troca de favorecer operações. Os imóveis eram escolhidos conforme critérios pessoais, tratados também pelo advogado Daniel Monteiro, hoje preso por determinação de Mendonça.
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