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PCC usou heliponto do Palácio dos Bandeirantes para levar traficante ao Morumbi

Operação Contaminatio aponta que PCC pousou no heliponto do Palácio dos Bandeirantes em 2022 para deslocamento; meio bilhão de reais bloqueados e infiltração em prefeituras, com seis pessoas politicamente expostas

Diálogo flagrados pela polícia na Operação Contaminatio: pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes
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  • Heliponto do Palácio dos Bandeirantes foi utilizado por um integrante do PCC em 10 de março de 2022 para ir ao Morumbi, em jogo do São Paulo contra o Palmeiras.
  • A autorização de pouso, obtida em seis horas, foi segundo a Polícia Civil, via Casa Militar do Governo de São Paulo.
  • A operação Contaminatio investiga infiltração do crime organizado na política municipal; foram bloqueados meio bilhão de reais e identificadas ao menos seis pessoas politicamente expostas.
  • O ex-governador João Doria afirmou que não controla o heliponto e que a Casa Militar é quem deve se manifestar sobre o episódio; a Casa Militar não se pronunciou.
  • Um dos envolvidos, João Gabriel de Melo Yamawaki, foi preso em 2026 no Tocantins; investigações apontam contatos com pessoas públicas e possível liberação de heliponto por meio de assessor de secretário.

Um helicóptero do Primeiro Comando da Capital (PCC) teria pousado no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, em 10 de março de 2022. A autorização para o pouso teria sido obtida em cerca de seis horas por meio de contatos políticos, segundo relatório da Operação Contaminatio da Polícia Civil.

O objetivo do deslocamento era acompanhar uma partida de futebol entre São Paulo e Palmeiras no Morumbi, conforme constatações da investigação. O caso faz parte de uma ação que investiga infiltração de facções em administrações municipais do interior paulista e, ainda, possível financiamento de candidaturas nas eleições de 2024.

A operação, deflagrada nesta segunda-feira pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, visa mapear a atuação do PCC no âmbito municipal e regional. O material aponta o uso de contatos na Casa Militar para liberar o pouso do helicóptero, o que gerou questionamentos sobre controles internos de órgãos públicos.

Implicações e réguas da investigação

Segundo o relatório, o pouso é descrito como um indicativo do alcance da infiltração do crime no poder público. A documentação reúne diálogos e mensagens ligando empresários a figuras políticas que poderiam facilitar ações da organização criminosa nas prefeituras da Região Metropolitana.

A reportagem do Estadão teve acesso a parte dos documentos, que também apontam a existência de ao menos seis pessoas politicamente expostas ligadas aos negócios e à política locais. A investigação envolve suspeitas de uso de uma fintech para facilitar a lavagem de recursos municipais.

João Doria, então governador à época, afirmou que não há controle do heliponto pelo governador e que a responsabilidade seria da Casa Militar do Governo de São Paulo. A Casa Militar não se manifestou quando procurada pelo Estadão.

Resposta de envolvidos e desdobramentos

O ocupante do helicóptero, identificado pela polícia, é João Gabriel de Melo Yamawaki, preso em 2026 em Tocantins por suspeita de participação em um carregamento de cocaína. A investigação também aponta contatos com Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André, que afirmava ter ligação com a Secretaria de Desenvolvimento Regional.

O ex-secretário Marco Vinholi, citado no material, afirmou não possuir ligações com os investigados e ressaltou que, em 2022, já não atuava como secretário nem tinha gerência sobre o heliponto. A reportagem buscou posicionamento da Secretaria de Segurança Pública, sem obter resposta até o fechamento desta reportagem.

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