- Wadih Damous, presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS), disse que a regulação da saúde suplementar está muito centrada em disputas contratuais e precisa avançar para a cadeia de cuidados aos pacientes.
- A Health Conference, promovida pelo Brazil Journal em São Paulo, destacou a necessidade de deslocar o centro regulatório de atos isolados para questões mais sistêmicas do setor.
- A ANS trabalha para fechar a agenda regulatória de 2026 a 2028, em meio a negociações com o setor privado, e sem promessas de respostas rápidas neste ano eleitoral.
- Raquel Reis, CEO da SulAmérica, e Thais Jorge, diretora médica da Bradesco Saúde, falaram sobre a crise de identidade do setor e a importância de equilibrar acesso, custo e qualidade assistencial.
- Daniel Pereira, diretor da Anvisa, afirmou que deve haver liberação ainda neste semestre de genéricos ou similares à semaglutida; a EMS montou força-tarefa para distribuir as canetas 60 dias após a avaliação, com o preço a ser divulgado próximo do lançamento.
O presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS), Wadih Damous, criticou a regulação da saúde suplementar por ser restrita demais, centrada em disputas contratuais e respostas fragmentadas. Ele indicou a necessidade de deslocar o foco para a cadeia de cuidados ao paciente, durante a Health Conference promovida pelo Brazil Journal, em São Paulo.
Damous afirmou que a atual agenda regulatória não acompanha a evolução do setor e que a ANS trabalha para fechar a agenda de 2026 a 2028. A fala ocorreu em meio a debates com o setor privado, na manhã deste ano, em evento de referência.
Executive de operadoras presentes no encontro destacaram a complexidade do tema e a ausência de soluções rápidas, principalmente em ano eleitoral. A discussão enfatizou a necessidade de parafusar políticas que conciliem acesso, custo e qualidade assistencial.
Regulação e agenda regulatória
Raquel Reis, CEO da SulAmérica, reforçou que não existe solução única e que é preciso alinhamento de todos os elos da cadeia, reconhecendo o recurso finito. Ao lado de Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge, e Thais Jorge, diretora médica da Bradesco Saúde, participou do debate.
Thais Jorge apontou que a crise de identidade do setor envolve equilíbrio entre acesso, custo e qualidade. Ela enfatizou que mudanças estruturais são necessárias para sustentar o cuidado ao paciente, não apenas atender demandas operacionais.
Daniel Pereira, diretor da Anvisa, disse que o órgão deve liberar ainda neste semestre a comercialização de medicamentos genéricos ou similares à base de semaglutida, com patente expirando em março. A medida pode ampliar opções terapêuticas.
Inovação, preço e igualdade de acesso
A EMS, investidora em fábrica de GLP-1, montou uma força-tarefa para distribuir canetas 60 dias após a aprovação da Anvisa. Marcus Sanchez, vice-presidente, comentou que o preço será revelado somente próximo ao lançamento, mas garantiu foco em ampliar o acesso.
Jeane Tsutsui, CEO do Fleury, lembrou que as canetas são parte da solução, mas não a única. Ela ressaltou que tratamento adequado, aliado a mudanças de estilo de vida, reduz doenças e aumenta a longevidade.
Painéis sobre inteligência artificial destacaram a necessidade de uso pragmático da IA na saúde. Ana Estela Haddad, secretária de informação e saúde digital do Ministério da Saúde, citou iniciativas para integrar dados entre o sistema público e a saúde suplementar, além de reconhecer subutilização de dados existentes.
Fernando Ganem, médico do Sírio-Libanês, Alexandre Chiavegatto Filho, da USP, e Luccas Adib, CEO da Hapvida, discutiram a IA como ferramenta prática para resolver problemas, e não fim em si mesma. O material completo dos painéis será publicado pelo Brazil Journal nos próximos dias.
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