- O ministro Alexandre de Moraes acionou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e a esposa, Viviane Barci, por danos morais, após Vieira o ter associado ao PCC em entrevista.
- A ação foi apresentada menos de 24 horas antes da sabatina de Jorge Messias no Senado para a Advocacia-Geral da União.
- Vieira nega ligação com o PCC e diz que suas declarações trataram de repasses financeiros; afirma que citou cerca de R$ 80 milhões recebidos do Banco Master.
- O caso mostra a tensão entre Judiciário e Legislativo, com o STF, em várias ocasiões, decidindo temas defendidos pelo governo.
- A percepção no Congresso é de que o cenário para Messias piorou na terça-feira, em meio a esse episódio e a tramitações relacionadas.
Ação de Alexandre de Moraes contra Alessandro Vieira aumenta a tensão entre Judiciário e Legislativo diante da sabatina de Jorge Messias. O ministro do STF acionou a Justiça contra o senador, em uma tentativa de responsabilizar o parlamentar por acusações feitas em entrevista. O caso ocorre menos de 24 horas antes da análise do indicado à AGU pelo Senado.
A ação foi movida por Moraes e pela sua mulher, Viviane Barci. Eles afirmam que Vieira associou o casal ao PCC durante a entrevista e pedem indenização por danos morais, com base em suposta ofensa à honra e ao decoro. O objetivo é esclarecer a responsabilidade civil pelo conteúdo considerado injúria.
Vieira contesta as acusações e vê a ação como intimidatória. O senador vincula o movimento à CPI do Crime Organizado, na qual solicitou o indiciamento de Moraes e de outros ministros do STF. Ele nega ter feito qualquer associação ao PCC e sustenta que as declarações tratavam de repasses financeiros.
“O que eu disse, e é provado, é que eles receberam cerca de R$ 80 milhões do Banco Master, hoje considerado grupo criminoso”, afirma Vieira. O parlamentar aponta que a denúncia teve como foco repasses financeiros, não associação a organizações criminosas.
No Congresso, o episódio é interpretado como reflexo da relação entre Judiciário e Executivo. Medidas do governo que chegaram a ser derrubadas pelo Legislativo foram revistas pelo STF, aumentando a percepção de atrito institucional durante a formação de Messias.
Entre os temas citados como evidência desse atrito, destacam-se decisões sobre aumento do IOF, marco temporal em demarcações indígenas, desoneração da folha e a CPMI do INSS. Em diferentes momentos, o STF atuou em desacordo com ações aprovadas pelo Congresso, alimentando a leitura de alinhamento entre Judiciário e governo.
A sabatina de Messias acontece nesta quarta-feira, com expectativa sobre o posicionamento do Senado diante do caso e do histórico de controvérsias entre as casas. A avaliação interna é de que o cenário para o indicado se tornou mais tenso após o episódio envolvendo Moraes e Vieira.
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