- Manuel Adorni, chefe de gabinete de Javier Milei, testemunhou no Congresso da Argentina pela primeira vez desde que surgiram denúncias de enriquecimento ilícito ligadas a viagens de luxo e compras de imóveis.
- A presença dele, prevista pela Constituição para apresentar relatórios mensais, transformou a sessão em um possível interrogatório sobre as suspeitas.
- Milei assistiu à fala do aliado no plenário e, em tom confrontador, acusou opositores de “assassinos” quando protestaram contra a duração do discurso.
- Pesquisas recentes indicam queda de popularidade de Milei, com 68% de aprovação negativa para Adorni, além de perguntas sobre o custo de vida e a economia.
- Em 2023, Adorni pagou US$ 500 em um processo judicial dividido em 12 parcelas e hoje ganha US$ 2.500 por mês; a pouco tempo, outro integrante do governo foi afastado por questões imobiliárias não declaradas.
Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, abriu pela primeira vez o gabinete para apresentar relatório no Congresso nesta quarta-feira, 29 de abril, em Buenos Aires. O ato ganhou contornos de interrogatório por conta de suspeitas de enriquecimento ilícito ligadas a viagens de luxo e compras de imóveis.
Adorni compareceu acompanhado pela irmã de Milei, Karina Milei, secretária-geral da Presidência. A sessão, prevista pela Constituição para que o chefe de gabinete relate atividades mensais, foi marcada pela defesa do ministro diante de críticas sobre seu patrimônio.
Milei esteve no plenário durante a exposição, que durou mais de uma hora. O presidente chegou a discutir com opositores que protestavam contra a fala, proferindo questionamentos acalorados durante o processo.
A popularidade de Adorni está em queda: uma pesquisa da Universidade de San Andrés aponta 68% de avaliação negativa. O alto índice de rejeição coloca o ministro como o mais impopular do governo ultraliberal.
Relatórios mencionam gastos compatíveis com um salário modesto. Em 2023, Adorni pagou um processo judicial de 500 dólares, em 12 parcelas, e atualmente recebe cerca de 2.500 dólares mensais, conforme o jornal Clarín.
Enquanto a pasta de Infraestrutura registra mudanças recentes, o governo manteve Adorni no cargo após a demissão do ex-secretário de Coordenação de Infraestrutura, Carlos Frugoni, envolvido em irregularidades imobiliárias.
Durante o discurso, o ministro exaltou responsabilidade fiscal, abertura econômica e controle da inflação, recebendo aplausos em momentos-chave e criticando gestões passadas em certos trechos.
Entre parlamentares de oposição, o deputado Néstor Pitrola qualificou Adorni de cadáver político, destacando o aumento de riqueza relatado na família do ministro. A fala gerou reações diversas no plenário.
Questionado sobre a permanência de Adorni, Milei deixou o gabinete sem responder diretamente e afirmou, ao sair, que jornalistas presentes eram desonestos. O episódio ocorre em contexto de desafios eleitorais para o governo.
Questionamentos sobre o enriquecimento do ministro seguem em evidência, com a oposição cobrando transparência e o governo defendendo a atuação de Adorni dentro da linha de política econômica vigente.
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