- Edinho Silva critica o PT por não ter assinado a CPI do Banco Master, dizendo que foi um erro da legenda.
- O Congresso rejeitou a indicação do ministro Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e derrubou o veto de Lula a um projeto que reduz penas de condenados por atos golpistas de 8 de janeiro.
- O presidente do PT afirma que o modelo político brasileiro ruiu e critica as emendas e o papel do Congresso na condução da pauta pública.
- O PT defende reforma do Judiciário e propõe uma comissão independente, com Judiciário, Ministério Público e juristas, para buscar caminhos contra privilégios.
- Edinho afirma que Lula é candidato e que as denúncias de corrupção impactam momentaneamente a popularidade, reforçando a necessidade de diálogo com o centro e a juventude.
O presidente do PT, Edinho Silva, classificou como erro a não assinatura do requerimento para a instalação da CPI do Banco Master. Ele disse ao Estadão que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação de comissões de investigação. Edinho é coordenador da campanha de Lula à reeleição e ex-ministro.
Na avaliação dele, o PT deveria ter assinado a CPI e liderado a criação da CPMI do INSS, criticando a atitude de veto ou neutralidade. O comentário ocorre em meio a uma semana marcada por reveses do governo no Senado e no Congresso, envolvendo o tema do Master.
Edinho também criticou o Senado por rejeitar a indicação de Jorge Messias para o STF, apontando instabilidade institucional ao separar o Judiciário da ordem do Legislativo. Atribuiu ainda à atuação do Congresso a lentidão de ações prometidas pelo Executivo.
Na visão do dirigente, há uma crise do modelo político brasileiro, impulsionada por emendas parlamentares e pela forma como o processo orçamentário funciona. Ele argumenta que esse modelo prejudica a aprovação de reformas e alimenta a percepção de “balcões de negociação”.
Sobre o Judiciário, Edinho defende reformas que envolvam participação externa e especialistas, sem mencionar um código de ética específico. Ele destaca que reformas devem aproximar o Judiciário da sociedade e ressaltou que o Congresso também precisa assumir protagonismo em mudanças político-eleitorais.
O petista afirmou que, apesar da polarização, o PT permanece aberto a alianças com centros democráticos e, em geral, com partidos que valorizam a democracia. Refutou a ideia de que o PT tenha se aproximado da direita liberal como contradição, dizendo que a construção é com o campo democrático.
Ele também comentou a relação com eleitores jovens, reconhecendo dificuldades de diálogo. Disse que o partido precisa se reorganizar para dialogar com novos atores sociais, como trabalhadores informais, motoristas de aplicativo e criadores de conteúdo, entre outros.
Sobre o Banco Master, Edinho repetiu que o tema é grave e que a investigação deve esclarecer relações com políticos, inclusive da Bahia. Ressaltou que o PT ainda não assinou a CPI, definindo isso como um erro que deveria ter sido evitado pela direção partidária.
Em relação ao legado do governo de Lula, Edinho afirmou que o presidente não está desgastado e reiterou o compromisso com a continuidade de pautas de combate à corrupção e de reformas estruturais. Afirmou que o Brasil enfrenta um cenário internacional de crise econômica.
Quanto a propostas para 2024, o coordenador enfatizou a defesa de reformas políticas e eleitorais, além de ampliar o controle externo do Judiciário. Também mencionou esforços para reduzir impactos da crise econômica sobre a população, sem detalhar medidas específicas no momento.
Edinho encerrou destacando que o objetivo é construir um campo democrático capaz de enfrentar o autoritarismo. Disse que lideranças fortes, inclusive do PT, devem se apresentar, em alinhamento com o eixo democrático, para derrotar propostas de ruptura institucional.
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