- Lula encerra o terceiro mandato sem viabilizar nova legislação trabalhista e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
- O governo mostrou avanços, como aumento real do salário mínimo, elevação da faixa de isenção do imposto de renda para até R$ 5 mil e sanção de lei para equiparar salários entre homens e mulheres.
- As centrais sindicais apoiaram Lula na eleição, mas realizam atos trabalhistas de forma descentralizada em 1º de maio deste ano.
- Houve críticas internas sobre a falta de fortalecimento dos sindicatos e revisão da reforma trabalhista de 2017, que garantiria financiamento às entidades.
- Mesmo com as promessas não cumpridas, as centrais pretendem apoiar a reeleição de Lula, destacando a possibilidade de reduzir a jornada para quarenta horas semanais e de regulamentar o trabalho por aplicativos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao fim do seu terceiro mandato sem aprovar parte das promessas voltadas aos trabalhadores feitas na campanha de 2022. Integrantes do governo destacam avanços como o retorno da política de aumento real do salário mínimo, a elevação da faixa de isenção do IR até 5 mil e a lei que garante equiparação salarial entre homens e mulheres. No entanto, não houve viabilização de uma nova legislação trabalhista nem regulamentação do trabalho por aplicativos.
Os sindicatos apoiaram amplamente Lula na eleição e ajudaram na composição da chapa com Geraldo Alckmin. Mesmo assim, as centrais reconhecem dificuldades políticas para mudanças profundas no mundo do trabalho, especialmente diante de um Congresso com composição resistente a avanços trabalhistas.
A ausência de Lula em atos do 1º de Maio tem sido marcante. As centrais decidiram realizar manifestações descentralizadas pelo país, sem convocar um evento único. Em 2024, o ato em São Paulo reuniu pouco público, o que gerou críticas internas ao governo. Em 2025, o presidente ficou em Brasília e não participou de atividades oficiais nesse feriado.
Avanços e desafios
As centrais sindicais afirmam que o governo avançou em políticas de proteção econômica, como o salário mínimo e a isenção do IR, além de promover igualdade salarial. Ainda assim, avaliam que houve carência de ações para fortalecer os sindicatos por meio de uma reforma trabalhista que garanta financiamento suficiente às entidades.
O governo manteve o foco em pautas solicitadas pelos trabalhadores, incluindo a proposta de reduzir a jornada para 40 horas semanais com fim da escala 6/1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos. Em 2024 houve tentativa de encaminhar projetos para motoristas de aplicativo, mas a tramitação emperrou no Congresso.
Para 2025, o Planalto ainda busca agenda sobre o tema, com a ideia de apresentar um projeto de lei de urgência e apoiar uma Proposta de Emenda à Constituição em debate na Câmara. O objetivo é entregar, até a eleição, um marco regulatório para o trabalho por aplicativos, conforme apuração oficial.
A liderança sindical admite que as dificuldades políticas influenciaram o ritmo de aprovação. O líder da bancada do PT na Câmara, Pedro Uczai, aponta a correlação de forças no Congresso como empecilho para avanços trabalhistas. Mesmo assim, as entidades mantêm o apoio à reeleição de Lula e destacam avanços já obtidos.
Ricardo Patah, da UGT, sinaliza apoio a Lula, destacando o baixo desemprego como conquista do governo. Mesmo filiado ao PSD, partido com candidatura presidencial em pauta, Patah afirma que a central reconhece as ações do governo e espera continuidade na política de incentivos aos trabalhadores.
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