- Centrais sindicais e movimentos sociais realizaram ato na Praça Roosevelt, em São Paulo, nesta sexta-feira, para pedir o fim da escala 6×1 e ações de enfrentamento ao feminicídio no país.
- A manifestação criticou o Congresso Nacional e destacou a pejotização, defendendo a Consolidação das Leis do Trabalho e a aprovação de regime de 40 horas semanais sem corte de salário.
- O educador Marco Antônio Ferreira explicou que muitos trabalhadores optam por vínculo como Pessoa Jurídica, o que pode reduzir direitos como férias, 13º salário e salário em caso de doença.
- Pesquisas citadas mostram que, entre trabalhadores sem carteira, 56% já tiveram experiência na CLT e 59,1% retornariam a ter carteira; 52,2% das pessoas fora do mercado desejam retornar, com 57,1% preferindo CLT.
- O movimento também discutiu violência de gênero e direitos das mulheres, com críticas à demora e ao alcance das medidas públicas, chamando para ações mais ousadas de emancipação e proteção.
Centrais sindicais e movimentos sociais organizaram uma manifestação na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, nesta sexta-feira (1º). O foco foi pedir o fim da escala 6×1 e medidas de enfrentamento ao feminicídio no país. Participantes criticaram a atuação do Congresso Nacional.
O protesto mobilizou trabalhadores, educadores e ativistas com camisetas e cartazes. A pauta incluiu a defesa de regras da CLT e a luta contra a pejotização, prática de contratação como pessoa jurídica que pode reduzir direitos trabalhistas.
Um dos ventos da manifestação veio do educador Marco Antônio Ferreira, da rede pública. Ele reforçou a necessidade de conscientizar as novas gerações sobre a importância de direitos assegurados pela CLT e os riscos da pejotização.
Ferreira explicou que contratos nessa linha podem retirar férias, 13º salário e estabilidade durante doenças. O MEI costuma atuar nesse tipo de regime, que tem ganhado espaço entre pequenos empregadores.
O movimento Vida Além do Trabalho (VAT) tem ganhado adesão, enquanto parte do empresariado critica a redução da jornada. Há controvérsia sobre impactos da mudança no PIB e na inflação, segundo estudos citados pela reportagem.
Nessa linha, o governo federal enviou ao Congresso, em meados de abril, um projeto de lei com urgência para estabelecer 40 horas semanais sem cortar salário. A proposta propõe vedar perda de renda com a redução da jornada.
Segundo o educador, a redução da escala 6×1 agrava a dificuldade de conciliar vida pessoal e trabalho. Trabalhos em turno contínuo afetam descanso, lazer e participação em lutas coletivas por direitos.
> Militares de direito e cidadania, conforme o professor, enfrentam desorganização social quando há jornada extenuante. A declaração foi usada para ilustrar a percepção de desumanização no regime 6×1.
A pesquisa O Trabalho no Brasil, encomendada pela CUT e pela Fundação Perseu Abramo, indica que 56% dos trabalhadores sem carteira já tiveram experiência com a CLT, e 59,1% voltariam a ter registro em carteira.
Outra pesquisa, da Vox Populi, aponta que 52,2% de pessoas fora do mercado desejariam retornar, e 57,1% prefeririam voltar com carteira assinada.
Há também confusão entre empreendedorismo e trabalho autônomo. Muitos participantes se identificaram como empreendedores quando, na prática, atuam como PJs com precarização.
Por todas as mulheres
Em meio aos casos de feminicídio, o tema ganhou espaço na pauta. A pedagoga Silvana Santana ressaltou que a violência de gênero exige respostas urgentes e um projeto de emancipação para afrodescendentes, além de ações para toda a população.
Santana concorda com a adoção de medidas públicas de proteção às mulheres, destacando o atraso no alcance dessas políticas para negras e negros enquanto sujeitos de direito.
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