- Sir John Major, ex-primeiro-ministro conservador, disse que o Reino Unido não deve continuar trocando de premiês e criticou políticos obcecados por pesquisas de opinião.
- Ele afirmou que muitos dirigentes tratam a política como um “show” e atrasam ações em áreas como saúde, pensões e mudanças climáticas.
- Em entrevista à BBC, Major disse que a esperança é o melhor estímulo político e que mudanças geram um ambiente mais favorável.
- Afirmou que, sem uma nova geração de jovens dispostos a servir ao público, o país está em encrenca profunda.
- Também criticou a elevação de políticos profissionais em todos os partidos e destacou a necessidade de enfrentar problemas de longo prazo para deixar melhores condições às futuras gerações.
Sir John Major alertou que o Reino Unido não deve continuar trocando de primeiro-ministro com frequência, em crítica aos políticos que tratam a política como um programa de televisão e deixam problemas graves para a próxima geração. O ex-premier conservador afirmou que governantes de hoje se concentram em agradar o público e na projeção de carreira, em detrimento de questões como saúde, pensões e clima.
Em entrevista à BBC Radio 5 Live e ao Newsnight, Major disse que a esperança é o principal motor da política, e que mudanças perceptíveis criam um ambiente mais favorável. Ele afirmou sentir que a hesitação em discutir argumentos difíceis desvaloriza a política e a representa de forma inadequada aos eleitores.
O ex-líder destacou a importância de uma nova geração de jovens dispostos a entrar na vida pública para evitar que o país “afunde”. Major lembrou que comandou o país entre 1990 e 1997 e venceu a eleição de 1992 com o maior número de votos já registrado por um partido britânico.
Desafios de governança e liderança
Major afirmou que a trajetória de qualquer governo não pode depender da frequência de mudanças de premiês, defendendo mandatos limitados semelhantes aos dos Estados Unidos, onde há dois mandatos presidenciais. Ele não citou ninguém em particular ao mencionar possíveis futuros líderes do Labour, mas sugeriu que a função é cada vez mais complexa em função das redes sociais.
O ex-primeiro-ministro também criticou a proliferação de políticos profissionais em todas as forças, afirmando que parlamentares trabalhistas passaram a representar um grupo mais jovem e menos próximo dos eleitores. Na avaliação dele, falhas na representatividade também aparecem entre conservadores, onde a presença de membros com perfil tradicional teria diminuído.
Major advertiu que muitos governos têm perdido a capacidade de dizer não diante de pressões por gastos públicos crescentes. Segundo ele, decisões que aliviem a vida das futuras gerações deveriam orientar as políticas, mesmo que isso implique custos políticos.
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