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Estudo avalia se tecnologia pode substituir juízes

Uso de inteligência artificial elevou a produtividade de juiz do Maranhão a 969 sentenças mensais, suscitando debate sobre o papel da IA no Judiciário

Plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. (Foto: Lucas Pricken/STJ)
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  • No Maranhão, um juiz aumentou de 80 para 969 sentenças assinadas por mês, atribuídas a uso de Inteligência Artificial, gerando sindicância e afastamento.
  • Pesquisa aponta que quarenta e sete por cento dos 723 escritórios questionados usam IA; no Judiciário, quarenta e cinco virgula oito por cento dos tribunais e conselhos já adotam ferramentas.
  • A IA é usada principalmente em tarefas de texto, como geração, melhoria e sumarização de documentos, além de verificação ortográfica.
  • Especialistas discutem se a IA pode acelerar procedimentos e reduzir custos, mas alertam que julgar envolve contextos, ética e responsabilidade que a tecnologia não substitui.
  • No Brasil, há regulamentações em estágio inicial: CNJ publicou resolução para uso de IA como apoio, estados implementam diretrizes locais, e há debates sobre riscos, transparência e responsabilidade.

Recentemente, no Maranhão, um juiz em Balsas teve aumento expressivo na produtividade, passando de 80 para 969 sentenças mensais. A explicação mais provável envolve o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA). O episódio levantou a discussão sobre o papel da IA no Judiciário.

Dados do setor indicam que 47% dos 723 escritórios pesquisados usam IA internamente. No Poder Judiciário, 45,8% dos tribunais e conselhos já utilizam a tecnologia, principalmente para textos: geração, melhoria, sumarização e verificação ortográfica. Ainda há cautela.

A discussão sobre IA no Judiciário opera em dois planos: IA “nos tribunais” e IA “como tribunais”. A primeira envolve apoio administrativo, triagem, organização de documentos e elaboração de minutas. A segunda, mais controversa, pode influenciar decisões judiciais.

Prós citados apontam ganho de velocidade, redução de custos e melhor organização de volumes imensos de informações. Em estados com congestionamento alto, a IA pode sugerir minutas e precedentes, liberando tempo humano para casos complexos.

Contras destacam que julgar envolve contexto, ética e autonomia racional — capacidades da IA que ainda não existem plenamente. Há risco de reciclagem jurídica e de decisões baseadas em modelos opacos, sem transparência suficiente para recurso.

Exemplo brasileiro

A Corregedoria-Geral da Justiça do Maranhão abriu sindicância contra o magistrado de Balsas. Foi encontrado uso inadequado de IA, com aplicações de precedentes inexistentes nos autos. O corregedor classificou a conduta como potencial violação funcional e afastou o juiz durante a apuração.

O caso evidencia falhas na validação de informações produzidas por IA e na necessidade de controle dos órgãos de Justiça. A Corregedoria destacou que ferramentas não validadas não podem embasar decisões, nem justificar conduta profissional.

Legislação deficiente

Especialistas apontam a ausência de regulamentação específica para IA no Judiciário. Um projeto do Senador Rodrigo Pacheco tramita há anos, sem aprovação definitiva. Estados já criaram regras pontuais, como o Paraná, com diretrizes de IA na administração pública.

Profissionais ressaltam a importância da IA como apoio à prolação de decisões, especialmente para pesquisas, verificação de dados, triagem e resumos. O CNJ publicou a Resolução 615/2025 para orientar o uso responsável.

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