- O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, decidiu nesta quarta-feira, seis, não fechar acordo de delação premiada com Mohamad Hussein Moraes, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, foragidos da Operação Carbono Oculto.
- O órgão entende que as informações apresentados pelos dois não seriam relevantes o bastante para justificar benefícios como a revogação de suas prisões ou eventuais condutas penais.
- A defesa informou ao Estadão que ainda não há posição tomada sobre o assunto.
- Promotores que investigam os empresários acreditam que eles tentam “blindar” o patrimônio obtido por meio de atividades ilegais no setor de combustíveis e defendem que devolveriam ao Estado até um bilhão de reais, mas consideram que o montante deveria chegar a pelo menos quatro bilhões.
- A decisão encerra a controvérsia entre promotores de Piracicaba e de São José do Rio Preto e a cúpula do Ministério Público, que já havia sido rejeitada pela Procuradoria-Geral da República em relação ao caso.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, decidiu nesta quarta-feira, 6, não fechar acordo de delação premiada com Mohamad Hussein Moraes, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Eles são foragidos da Operação Carbono Oculto, maior investigação contra o poder econômico do PCC e fintechs sob controle da facção na região da Faria Lima.
O chefe do Ministério Público de São Paulo entende que Beto Louco e Primo oferecem informações pouco relevantes para justificar benefícios como a revogação das prisões. A defesa não comenta a decisão no momento, dizendo apenas que ainda não há posição formal.
Promotores que acompanham o caso discutem a estratégia dos alvos para preservar patrimônio. Eles estimam que, se houver devolução de valores, o montante poderia chegar a até 4 bilhões de reais, bem acima do potencial devolvido por eles. A defesa sustenta que há interesse na cooperação, mas ainda não houve acordo.
Segundo apuração do Estadão, os promotores entendem que os empresários omitiram esquemas de lavagem, ligações com o PCC e não citaram políticos ou juízes, como teriam indicado interlocutores. Em anexo da proposta, haveria menção apenas a um juiz, já afastado e processado pelo Ministério Público.
Há ainda a menção de corrupção na Secretaria da Fazenda do Estado, alvo de três operações, com cerca de 40 auditores fiscais sob investigação. A linha de apuração envolve estruturas do fisco associadas a atividades ilícitas ao longo dos anos.
Controvérsia
A decisão encerra uma divergência entre membros do Gaeco, que viam o acordo como incentivo ao crime, e uma corrente mais favorável à delação, defendida por um promotor conhecido pela atuação contra o PCC. A Procuradoria-Geral sustenta que a delação não agregaria à Carbono Oculto.
Tribulações envolvendo o caso já haviam sido avaliadas pela Procuradoria-Geral da República, onde o procurador-geral Paulo Gonet também não se convenceu da relevância das informações. A negativa paulista pode indicar uma mudança de estratégia no âmbito estadual.
Aliados dos empresários indicaram ao Estadão que podem buscar novas vias para formalizar a delação, incluindo levar o caso a outras instituições ou até a promotorias de outros estados. A expectativa é que novas informações surjam caso haja novo movimento.
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