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Emendas parlamentares desenhadas promovem falta de transparência

Emendas parlamentares: fatiamento de recursos reduz transparência, exigindo consulta a múltiplas fontes para identificar beneficiários e aplicações

Esse modus operandi evidência como o processo de emendar o orçamento precisa ser revisto em seus fundamentos, para que deixe de ser opaco a princípio, diz a articulista
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  • Emendas parlamentares são aprovadas com informações genéricas e, na execução, costumam ser subdivididas em várias emendas menores por indicação legislativa, o que dificulta a transparência.
  • Um estudo com 133 emendas de 2026, totalizando 225 milhões de reais, mostrou que nenhuma teve alta transparência; 92% ficou classificada como baixa transparência.
  • A emenda nº 13 de 2026, da senadora Daniella Ribeiro, destinou 10,1 milhões de reais para “Estruturação da rede de serviços” em municípios da Paraíba e foi repartida para 45 cidades, com valores entre 100 mil e 1 milhão; o número de cidades chegou a 53 no início da semana.
  • Os repasses vão para o fundo de assistência social de cada município, o que exige consultar 53 portais de transparência municipais para entender o que foi custeado.
  • Emendas executadas por meio de convênios com o governo federal podem ter links diretos no Portal da Transparência, porém ainda demandam múltiplos cliques; regras atuais permitem até 25 emendas por congressista, sem limite de valor, ampliando potenciais efeitos eleitorais.

O desenho atual das emendas parlamentares federais dificulta o acompanhamento público de sua aplicação. Segundo estudo do Movimento Orçamento Bem Gasto, as emendas costumam ser aprovadas com informações genéricas e, na prática, são subdivididas na execução, o que embaralha os destinatários e os usos do recurso.

A pesquisa analisou 133 emendas, totalizando R$ 225 milhões. Em 1,6% do montante, essas emendas foram consideradas “não-Pix” e apresentaram baixa transparência, ou seja, exigem consulta de várias fontes para chegar aos fornecedores e aos objetos da despesa.

A prática de fatiar recursos ocorre durante a execução, por meio de indicações legislativas. A partir daí, municípios podem receber parte do valor originalmente alocado, tornando rara a visão consolidada do impacto da emenda.

Transparência sob risco

Entre os casos analisados, a emenda nº 13 de 2026, da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), com R$ 10,1 milhões, estruturou a rede de serviços para o Sistema Único de Assistência Social em municípios da Paraíba. Até março de 2026, foram repassados recursos a dezenas de cidades, com valores variando entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão.

Para apurar o que foi efetivamente custeado, seria necessário consultar 53 portais de transparência municipais, uma tarefa densamente complexa pela qualidade variável dessas informações. Emendas executadas via convênios com o governo federal reduzem um pouco o esforço, mas ainda exigem múltiplos cliques para localizar os dados.

O processo de indicação das emendas é orientado por regras da Comissão Mista de Orçamento. Cada parlamentar pode apresentar até 25 emendas, sem um teto claro de valor por emenda, o que amplia o alcance político no curto prazo.

Implicações para o orçamento público

Leis orçamentárias anuais reforçam a necessidade de indicações para efetivar as despesas, mas não estabelecem limites numéricos. A prática, segundo o estudo, é usada para ampliar ganhos eleitorais de parlamentares, dificultando o acompanhamento público.

A reportagem aponta a necessidade de reformas para reduzir opacidade, com medidas como limitar indicações e ampliar a integração entre sistemas de gestão orçamentária. Mesmo diante de perspectivas técnicas, não há sinais de melhoria automática a partir de 2027.

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