- O presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, mencionou uma divisão interna entre juízes “azuis” e “vermelhos” e se colocou entre os vermelhos.
- A classificação partiu do ministro Ives Gandra Martins Filho, que mostrou slides em palestras e descreveu duas alas no tribunal, com visões liberal/intervencionista versus legalista.
- Advogados e especialistas dizem que a separação é conhecida no meio trabalhista, associando “azuis” a perspectivas pró-empresas e “vermelhos” a perspectivas pró-empregados, com exceções.
- Em julgamentos, as alas já destoaram, por exemplo, em dissídios coletivos envolvendo sindicatos e na greve dos Correios, com posições distintas entre Vieira de Mello Filho e Ives Gandra Filho.
- O TST é visto como plural, segundo o presidente, e a distinção por cores foi atribuída a Ives Gandra Martins Filho, conforme ele mesmo indicou em declarações ao Estadão.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, causou repercussão ao mencionar uma divisão interna da corte entre juízes de perfil azul e vermelho. Ele afirmou não haver juízes dessas cores, mas se colocou entre os vermelhos, vistos como favoráveis a uma determinada causa, enquanto os azuis seriam guiados por interesses.
A classificação, segundo apuração do Estadão, teve origem em palestra do ministro Ives Gandra Martins Filho, ex-presidente do TST, que exibiu slides marcando duas alas no tribunal. Vieira de Mello Filho criticou a prática de juristas ministrarem cursos pagos para advogados atuarem no TST, anunciando que descontará salários de ministros que faltarem a sessões para lecionar.
Especialistas e advogados que atuam no TST relatam ao Estadão que a distinção é conhecida entre quem trabalha com causas trabalhistas. Em linhas gerais, os azuis seriam mais pró-empresas e os vermelhos mais favoráveis aos empregados, ainda que haja exceções em casos específicos.
O que sustenta a divisão no tribunal
No DT, Vieira de Mello Filho aparece apontado como vermelho e Ives Gandra Martins Filho como azul, com descrições de que uma ala seria mais liberal e a outra mais intervencionista. Os dois já divergiram em julgamentos relevantes, incluindo decisões sobre dissídios coletivos, greve de trabalhadores e estabilidade de gestantes em contratos temporários.
Em 2025, o TST votou pela possibilidade de sindicatos firmarem dissídios coletivos quando empresas recusam negociar, posição defendida por Vieira de Mello Filho. Gandra Filho contestou a flexibilização, defendendo que o comum acordo expresso continua necessário, mesmo com recusa de negociação.
Outras diferenças ficaram explícitas em casos de reforma trabalhista. Vieira de Mello Filho chegou a afirmar, após a aprovação da reforma, que a mudança poderia impactar a Justiça do Trabalho, enquanto Gandra Filho apoiou maior ênfase na negociação coletiva. Esses posicionamentos foram acompanhados por debates públicos dentro da corte.
Contexto institucional e debates recentes
O tema ganhou destaque após o STF acionar o CNJ em 2023 sobre descumprimento de decisões da Justiça do Trabalho. Estudos e decisões individuais também são usados para entender o funcionamento das turmas do TST, como no tema do vínculo empregatício de motoristas e entregadores de aplicativos, onde turmas divergem sobre a natureza da subordinação algorítmica.
Os ministros são católicos praticantes e, de acordo com relatos, costumam ter posicionamentos distintos em temas como direito da família, terceirizações e contratação por pessoa jurídica. O debate sobre reforma trabalhista permanece no centro das controvérsias entre diferentes correntes da corte.
Fonte: cobertura do Estadão.
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