- A Argentina abriga um vasto patrimônio de geleiras no Parque Nacional dos Glaciares, listado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 1981, com 16.968 glaciares em mais de 8.400 quilômetros quadrados.
- Uma reforma na Lei dos Glaciares transferiu a decisão de concessões de mineração de áreas com função hídrica relevante para governos provinciais, potencializando interferência perto de geleiras.
- A medida provocou protestos nas ruas de Buenos Aires; na semana passada, um tribunal suspendeu a vigência da lei em Santa Cruz, onde ficam os maiores glaciares.
- Especialistas alertam que a extração de minério pode comprometer o abastecimento de água, já que glaciares contribuem com até 60%–70% da vazão de rios em Mendoza e San Juan durante secas.
- Além do debate político, os glaciares já sofrem com mudanças climáticas: o Perito Moreno encolheu cerca de 800 metros em quatro anos, elevando riscos de instabilidade, avalanches e inundações.
O Congresso da Argentina aprovou uma reforma na Lei dos Glaciares, alterando o atual regime de proteção de geleiras e áreas de congelamento. A mudança transfere o poder de decidir a proteção ambiental das áreas de mineração para governos provinciais. A nova regra utiliza a “função hídrica relevante” para sustentar ou suspender a proteção.
A medida envolve o eixo entre o governo de Milei, que vê no futuro da mineração uma prioridade, e a oposição peronista com ativistas ambientais. A Câmara dos Deputados aprovou a reforma no mês passado, após debate que dividiu lideranças e legisladores. A votação mobilizou setores econômicos e ambientais.
Cenário de forte mobilização pública acompanha o tema. Propostas de Minas e alternativas de exploração de cobre e lítio passam a depender de autoridades locais, sob justificativa de alavancar exportações de terras-raras. Críticos afirmam que a mudança pode afetar a água de várias regiões.
Cartazes de protesto foram vistos em Buenos Aires, com mensagens contra a nova lei dos glaciares. Em Santa Cruz, província com grande concentração de geleiras, tribunais frearam temporariamente a vigência da reforma, em decisão recente. O tribunal pediu avaliação de impactos.
Especialistas lembram que os glaciares funcionam como reservatórios de água, com vazões críticas em períodos de seca. A queda na área de gelo pode reduzir a disponibilidade de água para cidades, agricultura e vinicultura em Mendoza e San Juan, entre outras regiões.
Projeções indicam que, se aprovada, a exploração próxima aos glaciares pode afetar até 7 milhões de pessoas que dependem da água dos rios andinos. Além disso, cálculos apontam que o recuo do Perito Moreno já chamou a atenção da comunidade científica pela instabilidade das montanhas.
Entre na conversa da comunidade