- 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem a presença de facções ou milícias no bairro, o que representa cerca de 68,7 milhões convivendo com esse poder.
- O medo da violência fez 57% dos entrevistados alterarem a rotina nos últimos 12 meses; 36,5% mudaram trajetos e 35,6% passaram a sair menos à noite.
- 33,5% dos pesquisados disseram ter parado de sair de casa com celular por medo de assaltos.
- O estudo aponta difusão territorial do crime organizado, com facções expandindo para cidades médias e pequenas e usando alianças locais e rotas logísticas.
- Em bairros com presença de crime organizado, a chance de vitimização é de 51,1% (vs. 40,1% no país) e 61,4% dos entrevistados relatam influência do crime nas regras de convivência do bairro.
O relatório Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança aponta que 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam conviver com a presença de grupos criminosos organizados no bairro onde moram. O dado indica cerca de 68,7 milhões de pessoas nessa situação.
A pesquisa, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao Datafolha, teve abrangência nacional e ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios, entre 9 e 10 de março de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
O estudo mostra que o medo da violência modificou a rotina de 57% dos entrevistados nos últimos 12 meses. Entre as mudanças, 36,5% alteraram trajetos diários e 35,6% passaram a sair menos à noite.
Mudanças no comportamento cotidiano
Ainda segundo a pesquisa, 33,5% deixaram de levar celular ao sair de casa por receio de assaltos. A difusão territorial do crime mostra que facções como Comando Vermelho e PCC atuam em cidades médias e pequenas, não apenas nas grandes capitais.
A ideia central é o *duopólio de violência*, em que Estado e crime convivem na organização da vida diária. A presença do crime no bairro regula ainda mais comportamentos e decisões de vizinhança.
Impactos observados pela população
Para 61,4% dos entrevistados, o crime organizado influencia moderadamente a convivência no bairro. A taxa média de vitimização no Brasil é de 40,1%, subindo para 51,1% em áreas dominadas por facções.
O estudo também aponta aumento de violência associada. O risco de ter um familiar ou conhecido assassinado sobe de 13,1% para 17,6% nesses territórios. Crimes digitais e roubos também são mais frequentes.
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