- Pesquisa Quaest aponta Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 41% no segundo turno, com Lula ganhando terreno.
- Aliados consideram o encontro entre Lula e Donald Trump, na Casa Branca, decisivo para a recuperação de Lula na percepção pública.
- PT reforça narrative de oposição a crises, associando a imagem de Lula ao encontro com Trump e ao escândalo envolvendo a Operação Compliance Zero e Ciro Nogueira.
- Medidas anunciadas pelo governo, como plano de combate ao crime organizado e fim da taxa das blusinhas, ainda não surtiram efeito perceptível na população.
- Pré-campanha de Flávio Bolsonaro busca manter empate técnico até o início oficial da campanha, frente a polarização e aos movimentos do governo.
O PT avalia que o encontro entre o presidente Lula e Donald Trump, na Casa Branca, na semana passada, teve impacto maior do que medidas anunciadas pelo Planalto. A percepção é de que o evento elevou a visibilidade de Lula e ajudou a recuperar números nas sondagens.
Conforme a pesquisa Quaest divulgada nesta semana, Lula aparece com 42% das intenções de voto no segundo turno, frente a 41% de Flávio Bolsonaro. Em levantamento anterior, o senador liderava por 42% a 40%. O PT sustenta que o momento permitiu imprimir firmeza ao discurso do petista.
Lula foi recebido de forma afável por Trump e utilizou o espaço para reforçar uma imagem de liderança independente. O encontro ocorreu em meio a desgaste recente, provocado pela reprovação do advogado-geral da União ao STF, considerado uma derrota para o governo.
Panorama da percepção pública
Para 43% dos entrevistados pela Quaest, a visita à Casa Branca deixou Lula mais forte. Outros 26% disseram que ele saiu mais fraco, e 13% avaliaram que não houve mudança. A direção da campanha de Lula entende que o episódio pode ter efeito imediato, frente a uma semana difícil para a oposição.
A pauta negativa inclui a quinta fase da operação de fiscalização envolvendo o senador Ciro Nogueira, ligada a possíveis relações com o empresário Daniel Vorcaro. A PF cumpriu mandados no mesmo dia da visita de Lula a Trump, elevando o tema ao debate público.
O PT associou o tema à crítica da oposição e passou a explorar a expressão BolsoMaster nas redes, ampliando o enquadramento de desigualdade e corrupção. A estratégia visa empurrar o foco da fraude financeira para a direita, segundo a leitura interna do partido.
Medidas e expectativa de impacto
Na avaliação governista, medidas como o Desenrola e a proposta de fim da cobrança de taxas para compras em sites internacionais ainda não atingiram a ponta da linha. O governo também promove o fim da escala 6×1, cuja tramitação no Congresso ainda não rendeu dividendos claros.
Nesta terça-feira, Lula anunciou planos para enfrentar o crime organizado e, por meio de medida provisória, propôs reduzir tarifas sobre itens comprados no exterior. As ações são apresentadas como instrumentos de governabilidade com apelo popular, mas dependem de continuidade política.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro teme a possibilidade de recuperação de Lula, com o uso de ações administrativas e o “pacote de bondades” para ampliar o eleitorado. O objetivo interno é manter o empate técnico até o início formal da campanha.
Entre na conversa da comunidade