- O deputado federal Danilo Forte (UB) teve 19 reuniões desde o início do governo Lula para facilitar demandas da Casa dos Ventos, maior empresa de energia renovável, em Brasília e com prefeitos do Ceará.
- Forte participou de todas as 19 reuniões com ministros, secretários e prefeitos de 16 municípios cearenses para atender a empresa, que hoje tem a Total Energy como sócia, com 34% de participação.
- A articulação do deputado visa contestar o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026) e pressionar o TCU, com CNI e Fiesp ingressando como interessadas no processo para checar supostas irregularidades.
- O grupo defende mudanças na energia renovável e já apresentou emendas e propostas que, segundo ele, visam proteger consumidores, porém são vistas como favoráveis aos geradores da Casa dos Ventos.
- Em outubro de 2025, ForteIncludingEMendas na MP dos Data Centers (1307/2025) para privilegiar usinas novas, o que beneficiaria a Casa dos Ventos no projeto de Pecém; o parlamentar e a empresa não comentaram após contatos.
A deputada federal Danilo Forte esteve mais atuante junto à Casa dos Ventos, gigante da energia eólica, do que com prefeitos de sua base no Ceará. Desde o início do governo Lula, ele realizou 19 reuniões com 16 municípios para tratar de Brasília, segundo dados oficiais.
O mesmo número de encontros ocorreu entre Forte e ministros e secretários para atender executivos da Casa dos Ventos, que hoje tem a Total Energy como sócia de 34%. Forte participou de todas as reuniões.
Na maior parte das agendas, o foco foi o projeto de lei sobre datacenters e medidas para energia renovável. A ação facilita a atuação da empresa junto ao governo federal, segundo apuração de fontes consultadas.
Leilão de Reserva de Capacidade e ações legais
Pelo menos parte do esforço envolve tentar cancelar o LRCAP 2026, realizado em março. O grupo tem apoio da CNI e da Fiesp para ingressar como interessados no processo no TCU que apura irregularidades.
O leilão visou garantir energia firme ao sistema, com contratos de 15 anos envolvendo usinas a gás e carvão. Estima-se que os custos para consumidores alcancem cerca de R$ 500 bilhões no período.
A CNI e a Fiesp, em conjunto, pedem a suspensão do resultado, com prazo até 21 de maio. Associações de energia também ajuizaram ação civil pública para frear o leilão, via Justiça Federal.
Emendas, projetos e pedidos de opinião
Forte enviou ao TCU um relatório que questiona parâmetros de preços da energia, de acordo com apuração. Ele diz defender os consumidores, mas as ações têm influências para geradoras de eólicas e solares.
Em 2025, a MP dos Data Centers teve emenda de Forte para exigir que a energia seja de usinas novas. A Casa dos Ventos seria a única apta a atender rapidamente ao projeto, segundo apuração.
Consultado, Forte informou que precisava de tempo para se manifestar. Em Nova York, ele não deu retorno imediato. A Casa dos Ventos também não comentou.
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