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Juíza decide sobre adolescentes envolvidos no caso do cão Orelha

Juíza arquiva investigações envolvendo adolescentes no caso do cão Orelha, encerrando restrições de viagem de um dos jovens

Juíza decidiu sobre os adolescentes do caso do cão Orelha
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  • A juíza Vanessa Bonetti Haupenthal arquivou as investigações sobre adolescentes no caso do cão Orelha, em Florianópolis, quatro meses após a morte do animal.
  • O Ministério Público de Santa Catarina apresentou um relatório de cento e setenta páginas apontando falta de provas e contradições na investigação policial, que teria se baseado em relatos não comprovados.
  • O MPSC informou que não há evidências de que os adolescentes estivessem no local ao mesmo tempo que o cão ou que tenham agredido o animal; a perícia indicou que o cão partiu devido a uma infecção óssea na mandíbula.
  • Com o arquivamento, as restrições de viagem e o passaporte do único jovem apontado pela polícia foram retirados, e não houve detenção.
  • O relatório também critica a atuação da polícia científica, citando horários conflitantes entre imagens e depoimentos sobre o momento da suposta agressão.

A justiça de Santa Catarina decidiu pelo arquivamento total das investigações sobre o caso do cão Orelha, envolvendo adolescentes de Florianópolis. A decisão foi anunciada pela juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, da Vara da Infância, quatro meses após a morte do animal na Praia Brava.

O cão Orelha morreu no dia 4 de janeiro, na região da Praia Brava, em Florianópolis. O caso ganhou repercussão nacional ao envolver a suspeita de agressão por parte de adolescentes de classe alta, que teriam deixado o animal em estado grave. A identificação de que alguns jovens viajaram aos Estados Unidos aumentando o clamor público também foi mencionada.

O Ministério Público de Santa Catarina encaminhou à juíza um relatório de 170 páginas, argumentando ausência de provas contra os adolescentes. Segundo o MP, a investigação policial se baseou em relatos informais e não houve acompanhamento dos jovens no local das supostas agressões.

O MP apontou falhas na linha do tempo e nas provas da perícia, que teriam afastado a hipótese de agressão. A perícia indicou que a morte ocorreu possivelmente por infecção óssea grave na mandíbula, e não por maus-tratos no momento da morte.

Entre os pontos do relatório, o MP destacou que, quando o adolescente apontado como único responsável esteve próximo do deck, o cão estava a cerca de 600 metros de distância. Assim, não seria possível comprovar a convivência no mesmo espaço por 40 minutos, conforme relatos policiais.

Com o arquivamento, todas as restrições impostas aos adolescentes deixam de valer. O único jovem com restrições de viagem teve o passaporte devolvido e não houve detenção anunciada para ele. A decisão negou ainda pedido de detenção adicional.

O MP afirmou ainda que há falhas da Polícia Científica na investigação, sobretudo quanto à veracidade das informações de que os adolescentes estariam no mesmo local que o cão. Não há registros de que Orelha tenha estado na orla da Praia Brava, segundo o relatório.

Imagens apresentadas pela defesa mostraram Orelha caminhando pela vizinhança por volta das 7h da manhã do dia 4 de janeiro, horário posterior ao alegado pela polícia. O MP ressaltou que a perícia indicou pleno funcionamento motor do animal quase uma hora após a suposta agressão.

A juíza concluiu que não existem elementos suficientes para comprovar os atos infracionais investigados. A decisão ocorreu após o recebimento do relatório do MP e encerra as apurações sobre o envolvimento dos adolescentes no caso.

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