- O Ministério Público de São Paulo denunciou 11 pessoas, incluindo Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, por esquema de corrupção e manipulação de créditos de ICMS na Sefaz-SP entre 2021 e 2025.
- A denúncia aponta que o grupo movimentou aproximadamente R$ 1 bilhão em propinas para favorecer grandes empresas do varejo.
- O ex-auditor Artur Gomes da Silva Neto é apresentado como operador central, coordenando a distribuição de demandas entre fiscais e negociações com empresas interessadas nos créditos.
- A organização seria dividida em quatro frentes: agentes públicos, núcleo técnico-operacional, braço empresarial e operadores financeiros responsáveis pela lavagem de dinheiro; Oliveira manteria relação direta com Silva Neto e autorizava pagamentos.
- Medidas cautelares solicitadas ao founder incluem tornozeleira eletrônica, apreensão de passaporte, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar a comarca; é a segunda denúncia contra Oliveira neste ano.
O Ministério Público de São Paulo denunciou 11 pessoas por um esquema de corrupção ligado à manipulação de créditos de ICMS na Sefaz-SP. O fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira, aparece entre os acusados, apontado como integrante do núcleo empresarial da organização. A denúncia foi apresentada nesta sexta-feira, no âmbito da Operação Ícaro.
Segundo os promotores, o grupo atuou entre 2021 e 2025, envolvendo auditores fiscais, empresas de consultoria tributária, empresários e operadores financeiros para liberar créditos irregulares a grandes redes de varejo. A movimentação financeira apresentada chega a aproximadamente R$ 1 bilhão em propinas.
Estrutura e atuação do esquema
A denúncia descreve Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal e ex-supervisor da Diretoria de Fiscalização da Sefaz-SP, como principal operador. Ele estaria responsável por distribuir demandas entre fiscais e intermediar negociações com empresas interessadas nos créditos.
Silva Neto é apresentado como núcleo central de uma organização com quatro frentes: agentes públicos, núcleo técnico-operacional, braço empresarial e operadores financeiros responsáveis pela lavagem de dinheiro. Oliveira manteria relação direta com o ex-auditor e autorizaria pagamentos aos fiscais envolvidos.
Interceptações e pagamentos
Mensagens apreendidas revelam codinomes usados, como “amigo” e “king”, para se referir a Silva Neto. Em uma mensagem, Oliveira autorizaria a entrega de “50”, interpretado como R$ 50 mil em espécie. Entregas de dinheiro vivo teriam ocorrido na sede da Ultrafarma, em Santa Isabel, na Grande São Paulo.
Relatos indicam que, em um episódio, o fiscal teria recebido R$ 250 mil em dinheiro dentro da empresa. A Promotoria anexou dados de geolocalização que indicariam a presença frequente do ex-auditor no local.
Medidas cautelares e próximos passos
Os promotores solicitaram medidas cautelares contra Sidney Oliveira, incluindo tornozeleira eletrônica, apreensão de passaporte, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar a comarca onde reside. A defesa ainda não se manifestou publicamente.
Contexto do caso
Esta é a segunda denúncia criminal contra o fundador da Ultrafarma neste ano relacionada à mesma investigação. Em fevereiro, Oliveira já respondia a outra acusação de corrupção ligada ao mesmo esquema. As autoridades repercutem o desdobramento como parte de apurações em curso sobre fraudes em créditos tributários.
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