- Contexto: na eleição de dois mil e vinte e dois, a direita teve recorde de votos, mas perdeu; em dois mil e vinte e seis chega dividida e sem um líder capaz de unificar todos os grupos.
- Organização: a direita é apresentada em cinco correntes distintas — bolsonarismo linha-dura, bolsonarismo crítico, Movimento Brasil Livre (MBL) / Partido Missão, Partido Novo e a direita pragmática regional.
- Bolsonarismo linha-dura: defesa de lealdade incondicional a Flávio Bolsonaro, com atuação constante de vigilância e cobrança de “traidores”; principais figuras incluem Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Kim Paim, Paulo Figueiredo e Allan dos Santos.
- Bolsonarismo crítico: liderado por apoiadores de Bolsonaro mas vistos como menos confiáveis pelo grupo anterior; destaca-se por tom mais emocional e valores religiosos; nomes-chave incluem Nikolas Ferreira, Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Silas Malafaia, Damares Alves, Sergio Moro e Rodrigo Constantino.
- Outros componentes: o MBL e o Partido Missão exprimem a busca por direita alternativa ao bolsonarismo, com Renan Santos, Kim Kataguiri e Arthur do Val; o Novo apresenta Romeu Zema, Deltan Dallagnol, Marcel van Hattem e Ricardo Salles; há também a direita pragmática regional com Caiado, Ratinho Júnior e Tereza Cristina.
Na eleição de 2022, a direita brasileira recebeu o maior contingente de votos da história, mas acabou perdendo. Quatro anos depois, o bloco volta ao jogo com potencial de vitória, porém está mais dividido e sem um líder único capaz de unificar as correntes.
O debate de 2026 gira em torno de como lidar com o legado de Jair Bolsonaro, preso e inelegível, mas ainda influente. Diverge entre lealdade irrestrita, críticas e propostas de mudança de rumo, com impactos potenciais na composição de alianças e na influência de cada corrente.
A seguir, o panorama atual da direita, dividido em cinco grupos com propostas distintas sobre o que fazer com o legado bolsonarista. A leitura prioriza o que aconteceu, quem está envolvido, quando, onde e por quê.
O bolsonarismo linha-dura
Este núcleo defende apoio incondicional a Flávio Bolsonaro e atua com vigilância constante contra suspeitas de traidores. O grupo vê o moderação como sinal de fraqueza e busca manter o mobilismo bolsonarista.
Principais figuras
Flávio Bolsonaro
Emprega estratégia de equilíbrio entre militância e rejeição externa ao sobrenome. Flávio disputa o cenário presidencial pela via do PL.
Eduardo Bolsonaro
Com cassação do mandato nos EUA, atua regionalmente a partir de alianças com setores favoráveis ao trumpismo e mantém influência entre apoiadores no Brasil.
Carlos Bolsonaro
Discreto, articula ações digitais e concorre ao Senado por Santa Catarina, buscando ampliar a presença do sobrenome no Sul.
Kim Paim
Influenciador que fiscaliza conduta de nomes da direita, com atuação a partir da Austrália; pode desgastar figuras envolvidas em atritos com a base.
Paulo Figueiredo
Defende identidade de governo de direita com foco ideológico, atuando a partir dos EUA; aproxima bolsonarismo e ala conservadora americana.
Allan dos Santos
Fundador do Terça Livre, atua nos EUA contribuindo para cobrança interna do grupo.
Outros nomes: Gustavo Gayer, Mário Frias, Filipe Barros, Gil Diniz.
O bolsonarismo crítico
Corrente que tem Bolsonaro como líder, mas é vista como menos confiável pelo grupo linha-dura. Mistura tom mais moderado com forte base religiosa e antipetismo, incluindo participação feminina relevante.
Principais figuras
Nikolas Ferreira
Deputado mineiro com potencial presidencial em 2030, opera como máquina de comunicação da direita; apoia Flávio Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro
Figura de continuidade da herança, cotada para o Senado no Distrito Federal; mantém papel de influência entre evangélicos e mulheres conservadoras.
Tarcísio de Freitas
Governador de São Paulo, buscou manter capital político para 2030; indicado inicialmente como presidenciável, viu-se alinhado à reeleição.
Silas Malafaia
Influente mesmo sem disputar eleição; apoio pode pesar na definição de candidaturas.
Damares Alves
Símbolo do conservadorismo, forte entre eleitorado evangélico feminino; não é candidata neste momento.
Sergio Moro
Líder do anti-corrupção, transita entre uniões com Flávio Bolsonaro e atuação independente no Paraná.
Rodrigo Constantino
Comentarista que defende conservadorismo próximo ao liberalismo econômico; atua com postura autônoma.
Outros nomes: Ana Campagnolo, Carol De Toni, Hamilton Mourão.
MBL / Partido Missão
Movimento Brasil Livre promoveu antipetismo e gerou o Partido Missão, registrado pelo TSE em 2025. O Missão busca construir uma direita alternativa ao bolsonarismo, adotando linguagem mais jovem, com foco em segurança pública.
Principais figuras
Renan Santos
Fundador do Missão e candidato presidencial; contrasta com Lula e Bolsonaro, buscando atrair eleitores jovens.
Kim Kataguiri
Deputado federal e principal quadro institucional do grupo, buscando tornar o Missão uma força política organizada.
Arthur do Val
Conhecido como Mamãe Falei; teve mandato cassado em 2022, recupera visibilidade nas redes e debates.
Outros nomes: Guto Zacarias, Amanda Vettorazzo.
O Partido NOVO
O NOVO surgiu para romper com a velha política, mas passou a aceitar recursos públicos e alianças, abrindo espaço para o bolsonarismo de forma mais ampla. Ainda não definiu se terá candidatura própria à Presidência ou apoiará Flávio Bolsonaro.
Principais nomes
Romeu Zema
Ex-governador de Minas, figura central no NOVO; pode concorrer à Presidência ou atuar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Sua postura recente mostrou fricção com ligações ao STF.
Deltan Dallagnol
Ex-procurador e pré-candidato ao Senado pelo Paraná; a legenda flexibilizou regras para recebê-lo, ampliando o alcance anticorrupção do partido.
Marcel van Hattem
Deputado do RS, tende a defender pautas políticas e críticas ao STF, fortalecendo o campo conservador dentro do NOVO.
Ricardo Salles
Ex-ministro e pré-candidato ao Senado por São Paulo; representa abertura do NOVO a perfis mais variados dentro da direita e discorda de parte do Centrão.
Outros nomes: Eduardo Girão, Adriana Ventura.
A direita pragmática regional
Grupo que emerge da necessidade de gestão e coalizões, mantendo um conservadorismo moderado. Embora forte em estados, a avaliação nacional pode variar conforme alianças e cargos.
Principais figuras
Ronaldo Caiado
Governador de Goiás, aposta em segurança pública e agro, com possível candidatura presidencial pelo PSD de Kassab; cenário em transformação ao longo da campanha.
Ratinho Júnior
Governador do Paraná, com alta aprovação regional; esteve próximo de elegibilidade presidencial, recuou diante de acordo para apoiar Flávio Bolsonaro, mas mantém peso político relevante.
Tereza Cristina
Ex-ministra da Agricultura, atua no Senado com trânsito entre campos políticos; cotada como possível vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
Outros nomes: Esperidião Amim, Jorginho Mello, ACM Neto.
Observação
O conjunto apresentado não determina qual corrente vencerá; o cenário envolve alianças, mudanças de apoio e riscos de fragmentação, com impactos diretos na condução futura da direita brasileira.
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