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Bloco com 164 unidades fechadas e moradores que não saem

Lund Point, em Stratford, tem apenas quatro moradores em 168 flats, diante de promessas de regeneração que não foram cumpridas

Carpenters Estate V1
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  • Lund Point, torre no Carpenters estate em Stratford, leste de Londres, hoje tem apenas quatro unidades habitacionais ocupadas entre 168 flats.
  • A convivência da comunidade diminuiu ao longo dos anos, com desocupação de moradores desde o início dos projetos de regeneração e reformas.
  • O prédio e a área enfrentam abandono e degradação: entulhos na entrada, fachadas comprometidas e portas de acesso fechadas, apesar de haver uma única e operante ascensor ainda.
  • Moradores remanescentes relatam ofertas de venda, realocação ou reocupação futura, mas muitos optam por permanecer devido à memória, redes de apoio e receio de mudanças em novas regiões.
  • O caso de Lund Point é usado como exemplo de controvérsia sobre regeneração de áreas públicas em Londres, com críticas à demora, ao custo público e à realocação de moradores sem garantia de retorno.

Lund Point, torre no Carpenters estate em Stratford, lida hoje com um abandono progressivo. Da estrutura de 21 andares, apenas quatro dos 168 apartamentos continuam ocupados. O restante está lacrado ou vazio, com portas de segurança substituindo entradas que antes eram comuns aos moradores. O que aconteceu para chegar a esse cenário?

Tee Fabikun, moradora desde 1997, descreve uma mudança drástica. Vivia cercada por vizinhos, amigos e rotinas que pareciam estáveis. Hoje, a quinta andar abriga apenas o seu imóvel, enquanto o resto do andar fica trancado ou deteriorado. Do lado de fora, o prédio exibe entulho, telhas soltas e vidro quebrado.

Warren Lubin, que também mora no edifício há décadas, tornou-se porta-voz de parte da comunidade. Ele relata móveis e jardins na varanda, mas admite que a convivência em torres costuma ser mais fechada do que aparenta. Lubin participou de organizações de moradores e debates com a prefeitura de Newham, buscando respostas para a devolução de espaço e serviços.

História de um bairro marcado pela regeneração

O Carpenters estate foi construído nos finais dos anos 1960, com três torres e áreas de moradia baixa. Nos anos seguintes, a manutenção foi insuficiente, gerando críticas dos inquilinos sobre o estado das propriedades. Em 2004, a prefeitura iniciou um programa de regeneração que passou por várias fases, até prever demolição de torres.

Com a eleição de Londres como sede dos Jogos Olímpicos de 2012, o futuro do conjunto ganhou outra dimensão. Em 2011, a prefeitura fechou acordo com a UCL para instalar um campus no local, prevendo demolir parte do complexo. O plano previa realocar a maior parte da população, mantendo apenas uma fração para retorno.

Desapropriação, ocupações e crises de moradia

A promessa de demolir o conjunto gerou resistência entre os moradores, levando a campanhas como CARP (Carpenters Against Regeneration Plans). As tensões aumentaram quando surgiram ocupações de moradias em situação de vulnerabilidade, atraindo atenção midiática e resultados diversos sobre a disponibilidade de novas casas.

A estratégia oficial passou a envolver o abandono gerido: serviços locais deixaram de funcionar com intensidade, propriedades vazias acumularam-se e o estado dos imóveis piorou. Em 2014, a atenção pública se voltou para a existência de centenas de unidades vazias no Carpenters, provocando debates sobre políticas de habitação social.

Situação atual e números de habitação

No conjunto, o quadro é de grande parte das casas desocupadas. Em toda a Inglaterra, existem dezenas de milhares de imóveis vazios, com números elevados em Londres. Em Newham, quase 6% das famílias vivem em alojamento temporário, cenário que inclui residentes de Lund Point.

A prefeitura de Newham afirma que regeneração de grandes bairros é um processo de longo prazo, sujeito a imprevistos. Em Lund Point, as autoridades indicaram que parte do prédio é estruturalmente insegura para ocupação, uma justificativa contestada por moradores que permanecem em parte do edifício e buscam alternativas de permanência.

Fabikun continua frequentando a área para atividades de voluntariado e atividades da comunidade, em meio a incertezas sobre moradia. Lubin permanece em Lund Point na maior parte do tempo, embora utilize temporariamente hotéis na região para atender a necessidades básicas. A situação permanece sem resolução oficial de retorno ou compensação para muitos moradores.

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