- Chris Lehane, chefe de assuntos globais da OpenAI, busca acalmar a impressão pública sobre IA e incentivar leis que não dificultem o crescimento da empresa, enxergando política e atuação regulatória como parte da mesma estratégia.
- A reação à IA tem piorado, com críticos por vezes rejeitando discursos otimistas sobre o tema; incidentes recentes incluem vaias em formaturas e um ataque a residência de Sam Altman, CEO da OpenAI.
- Lehane defende uma mensagem mais calibrada sobre IA, apresentando propostas de políticas públicas como semana de quatro dias, expansão de acesso à saúde e taxação sobre trabalho movido por IA.
- Houve tensões internas: ex-funcionários alertaram sobre possíveis esforços de defesa excessiva da IA; Lehane afirma não atuar no dia a dia do grupo proativas e que a empresa não financia super PACs de forma direta.
- A OpenAI tem adotado uma postura de “federalismo inverso” para harmonizar leis estaduais de IA; apoiou, inicialmente, um projeto de Illinois sobre responsabilidade e auditoria externa, que foi criticado, e recentemente apoiou uma das regras mais rígidas do estado sobre auditorias de práticas de segurança.
Desde a saída de Greg Brockman, cofundador da OpenAI, o debate sobre impactos da IA na sociedade ganhou contornos de crise reputacional. A organização encara rejeição crescente a ferramentas como o ChatGPT, com sinais de desconfiança pública.
O responsável por tentar contornar a imagem é Chris Lehane, chefe de assuntos globais da OpenAI. Em entrevista, ele descreve dois objetivos alinhados: popularizar a tecnologia e promover regulações que não freem o crescimento da empresa.
Lehane, veterano em operações políticas, já atuou em crises para outras empresas e hoje coordena as equipes de comunicação e política da OpenAI. Seu motto: políticas públicas eficazes também geram boa política.
Desafios de comunicação e propostas
Lehane critica narrativas simplistas sobre IA, defendendo mensagens calibradas que apresentem soluções concretas para perda de empregos e impactos em crianças. Em recente documento, a empresa apresentou propostas como semana de quatro dias e expansão de saúde.
O executivo aponta que a empresa precisa oferecer respostas reais aos receios da sociedade, não apenas advertências. Ele cita o conjunto de propostas públicas da OpenAI como exemplo de abordagem prática.
Financiamento e atuação política
A reportagem indica que ex-funcionários da OpenAI criticam a empresa por minimizar riscos da adoção de IA. Segundo fontes, houve saída de integrantes do núcleo de pesquisa econômica, alegando desvio de foco de pesquisa para advocacy.
Lehane participou da criação de uma das maiores super PACs pró-IA, a Leading the Future, com mais de 100 milhões de dólares em compromissos de financiamento. A iniciativa recebeu apoio de Brockman e outros nomes do setor.
O diretor de políticas afirma ter consultado Brockman de forma geral sobre gastos políticos, sem envolvimento diário na gestão do grupo. Ele garante que a OpenAI não financia diretamente super PACs.
Regulação estadual e avaliação federal
Com a ausência de legislação federal robusta, a OpenAI pratica o que Lehane chama de “federalismo invertido”: pressionar estados a aprovarem leis que se assemelhem entre si para evitar um mosaico regulatório.
A empresa apoiou um projeto de lei em Illinois que prevê, entre outros pontos, isenção de responsabilidade para laboratórios de IA desde que publiquem mecanismos de segurança. A proposta gerou críticas e levou a uma retificação pública.
Mais recentemente, Illinois aprovou uma nova legislação considerada entre as mais rigorosas do país, exigindo auditorias externas das práticas de segurança de IA. O texto recebeu apoio de concorrentes e foi aprovado pelo Senado estadual.
Perspectivas e próximos passos
Lehane observa que a OpenAI continua buscando um equilíbrio entre inovação e regulação responsável, destacando a importância de evitar políticas que prejudiquem a evolução tecnológica. O objetivo é alinhar expectativas da sociedade com os avanços da IA.
A empresa mantém o foco em explicar benefícios da IA ao mesmo tempo em que apresenta medidas para mitigar riscos, sem abandonar o compromisso com a transparência. A ação envolve diálogo com governos e com a sociedade civil.
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