- A rainha Elizabeth II queria que seu filho, Mountbatten-Windsor, virasse enviado comercial em 2000, para atuar em “papel proeminente” na promoção de interesses nacionais.
- Os documentos, divulgados pelo governo após pedido de Sir Ed Davey, demonstram esse interesse da monarquia na atuação internacional de Andrew.
- Mountbatten-Windsor atuou como representante especial do Reino Unido para comércio e investimento até 2011.
- Um memorando de fevereiro de 2000 descreve a preferência da monarca por visitas a países “mais sofisticados” e aponta pontos fortes do duque em áreas como alta tecnologia, comércio e assuntos culturais.
- O material também inclui uma nota interna de 2001 sobre a nomeação, com orientações de gestão de mídia e informações de que as viagens seriam custeadas, sem salário pelo cargo.
A rainha Elizabeth II tinha grande interesse de que o príncipe Andrew Mountbatten-Windsor assumisse o papel de enviado comercial em 2000, segundo documentos recém liberados. Os arquivos sobre a função foram tornados públicos pelo governo, após pedido do líder do Liberal Democrats, Sir Ed Davey.
Os papéis indicam que a monarca desejava que o filho ocupasse um papel destacado na promoção de interesses nacionais. O então diretor-executivo da British Trade International, Sir David Wright, descreveu o interesse em um memorando datado de fevereiro de 2000 dirigido ao então ministro das Relações Exteriores, Robin Cook.
Andrew atuou como representante especial do Reino Unido para comércio e investimento até 2011. A liberação ocorre após Ed Davey apresentar uma “humilde intervenção” no Parlamento em 24 de fevereiro, pedindo a divulgação de toda a documentação relacionada à criação do cargo.
Detalhes dos documentos
Entre os conteúdos liberados, há uma carta de 25 de janeiro de 2000 escrita pela diplomata britânica Kathryn Colvin, associada a uma reunião com o então secretário particular de Andrew, Captain Neil Blair. O teor descreve as áreas de atuação do príncipe, com ênfase em mercados de alta tecnologia, comércio, juventude e eventos culturais, com preferência por balé.
Outra peça é um telegrama interno de 25 de setembro de 2001, direcionado à equipe da British Trade International, que confirma a nomeação de Andrew como representante especial. O documento aponta um programa de visitas ao exterior com duas grandes viagens regionais anuais e recomendações sobre gestão de mídia.
O conjunto de documentos traz ainda notas sobre a confidencialidade de comunicações com a Coroa e ressalta que, neste caso excepcional, houve divulgação de visitas ao exterior, aconselhamento à falecida rainha sobre o papel e visões sobre o desenvolvimento do cargo de representante especial.
Aspectos operacionais e contexto
Algumas páginas aparecem com trechos fortemente redigidos, segundo o Ministério do Comércio. O ministro do Comércio, Chris Bryant, afirmou que a divulgação visa retirar o mínimo de informações pessoais e de conteúdo que possa prejudicar relações internacionais.
Entre as comunicações disponibilizadas, há um Q&A de 2001 sobre a nomeação de Mountbatten-Windsor, que indica que o cargo não seria remunerado, mas que despesas de viagem e de apoio seriam cobertas. Também consta que não houve cobrança por despesas oficiais, conforme a explicação inicial.
A público houve relatos de questionamentos sobre custos de viagem e serviços no âmbito do papel, conforme reportagens de serviços de imprensa. O material divulgado não apresenta conclusão editorial, apenas dados oficiais sobre o cargo e suas funções.
Panorama atual e próximas etapas
O governo afirma que não pretende publicar novos arquivos sobre a nomeação de Andrew como enviado comercial. O funcionário público responsável, Sir Chris Bryant, sinalizou a possibilidade de retorno ao Parlamento caso haja novas informações a serem tornadas públicas.
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