- Em dez meses, dez estados (20% do total) mudaram ou estão mudando os distritos eleitorais para favorecer um dos lados, sob pressão de Donald Trump.
- O objetivo é ampliar a maioria republicana na Câmara, hoje com 217 deputados contra 212 democratas, com um independente que costuma votar com os republicanos.
- Estados já com mudanças em favor dos republicanos: Texas, Missouri, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio, Flórida, Tennessee e Alabama; Califórnia e Utah veem movimentos a favor dos democratas.
- As alterações chegam no meio da década, prática incomum desde o século XIX, e são impulsionadas por decisões judiciais e pelo atual ambiente político.
- Observações de imprensa indicam redução de distritos competitivos e impacto em áreas urbanas, como Memphis no Tennessee, cuja maioria negra deixa de existir em novos mapas.
A pressão de Donald Trump para redesenhar o mapa eleitoral dos EUA já alterou 20% dos distritos, em fase prévia às eleições de meio mandato. Até agora, 10 estados mudaram ou estão em processo de mudança para favorecer um dos lados. O objetivo: ampliar a presença republicana na Câmara.
A iniciativa ocorre em estados de maioria conservadora, com o objetivo explícito de aumentar as chances republicanas onde historicamente não dominam as urnas nas midterms de novembro. A demanda parte de aliados de Trump.
Estimativas apontam que as mudanças podem resultar em ganho de 8 a 10 cadeiras para os republicanos, com base na composição esperada dos novos distritos e em resultados eleitorais recentes. Democratas têm reagido de forma cautelosa.
Mudanças em estados e contexto jurídico
Texas, Missouri, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio, Flórida, Tennessee e Alabama aparecem entre os estados com mudanças em curso ou aprovadas para favorecer os republicanos. Califórnia e Utah figuram entre os estados com mapas mais favoráveis aos democratas.
A pressão sobe após decisões da Suprema Corte, conservadora, que alteraram regras de desenho de distritos e facilitaram uso de critérios partidários. Em Tennessee, o redesenho diluiu a maioria negra, impactando candidaturas na região de Memphis.
Alguns analistas ressaltam que o redesenho, ao reduzir distritos competitivos, tende a diminuir o espaço para eleições próximas, elevando a distância entre votos de candidatos de cada lado. Estudos apontam queda de distritos com disputas acirradas.
Entenda o funcionamento dos distritos eleitorais
Nos EUA, cada estado recebe cadeiras proporcionais à população. Distritos são desenhados pelo Legislativo estadual, o que torna o processo político, com limitações legais federais e estaduais.
O objetivo é igualar o peso do voto, mas o desenho pode favorecer grupos específicos. Em muitos casos, o redesenho é usado para ampliar a vantagem de uma sigla, alterando a distribuição de eleitores de raça ou de orientação partidária.
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